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Quatro detidos por maus tratos em centro juvenil

Quatro detidos por maus tratos em centro juvenil

O Centro Juvenil de Campanhã foi esta terça-feira alvo de buscas da GNR, por suspeitas de maus-tratos de funcionários a menores, no polo de Vila do Conde da instituição. Houve quatro detenções.

Na origem da operação policial, que decorreu durante todo o dia, estiveram denúncias de agressões, em certos casos de maior violência, a murro e pontapé, a rapazes acolhidos no polo de Vila do Conde da instituição, que apoia crianças e jovens em risco. Estarão também em causa castigos alegadamente excessivos aplicados a alguns menores.

Segundo o JN apurou, a situação chegou ao conhecimento das autoridades nos primeiros meses deste ano através de alguém que já trabalhou no centro juvenil e que terá dado conta de episódios ocorridos nos últimos três anos. O Núcleo de Investigação e de Apoio a Vítimas Específicas (NIAVE), unidade da GNR especializada em casos de violência doméstica, encetou averiguações, sob coordenação do Ministério Público, que passaram pela recolha de depoimentos de antigos e atuais utentes, entre eles vítimas, e colaboradores do centro. Alguns lesados, na sua maioria adolescentes - o mais novo com 12 anos - terão chegado a fotografar com o telemóvel mazelas físicas supostamente resultantes de tareias.

Como autores dos maus- -tratos foram apontados elementos dos quadros do Centro Juvenil, entre os quais a diretora pedagógica e três outros funcionários, que acabaram detidos e deverão ser ouvidos hoje no Tribunal de Vila do Conde. Em determinadas situações, terão agido em resposta a comportamentos rebeldes e desafiantes dos jovens, alguns deles oriundos de meios problemáticos.

A GNR avançou ontem de manhã para as buscas, com mandados de detenção, que incidiram no polo de Vila do Conde (freguesia de Árvore) e no edifício-sede da instituição, em Campanhã, no Porto.

Ação discreta

A operação envolveu dezenas de militares afetos a unidades de investigação criminal e foi desenvolvida com o maior secretismo e discrição possíveis, para evitar alarido. Foram maioritariamente usadas viaturas descaracterizadas e os guardas trajavam à civil, entrando e saindo das instalações sem chamar a atenção. Em Árvore, a intervenção passou despercebida na vizinhança, na Rua da Estrada Velha. E até no interior havia funcionários que não sabiam ao certo o que se passava, embora desconfiassem das movimentações.

Em Campanhã, a busca terminou cerca das 17 horas, tendo os elementos policiais visado sobretudo ficheiros informáticos com processos de utentes. A investigação da GNR deverá continuar, com audição de vítimas e testemunhas.

O JN tentou obter uma reação do Centro Juvenil de Campanhã, mas uma fonte da Direção disse que não seria tomada, para já, qualquer posição, sublinhando apenas a necessidade de "ter-se em consideração o que a instituição (com 200 anos) já fez" no apoio a crianças e jovens desfavorecidos.

* com Reis Pinto