segurança

Quatro romenos em prisão preventiva acusados de escravizar compatriotas

Quatro romenos em prisão preventiva acusados de escravizar compatriotas

Os quatro indivíduos de nacionalidade romena detidos, quarta-feira, numa herdade localizada no concelho de Beja, por agentes do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, ficaram em prisão preventiva, acusados da prática do crime de tráfico de seres humanos, praticado contra 24 cidadãos da mesma nacionalidade, entre os quais 6 mulheres.

Eram 23.50 horas desta sexta-feira, quando Sergiu, 25 anos, Lilistre, de 40 anos, Emil, de 49 anos e Marinita, de 51 anos, deram entrada no Estabelecimento Prisional de Beja, depois de 10 horas de interrogatório no Tribunal da cidade.

Ainda antes dos quatro detidos terem sido presentes a primeiro interrogatório judicial, o advogado dos detidos deixava perceber que este iria ser transformado "num caso exemplar".

Sem mencionar o nome, Hugo Machado, advogado dos detidos, acusou o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras de "estar a especular, num caso que não assumia a gravidade que lhe estão a dar", já que "não se tratava" de uma situação de exploração de seres humanos, justificou.

Os vinte e quatro romenos libertados do controlo das "Máfias de Leste" viviam numa casa da herdade, onde todos compartiam uma casa de banho, quatro camas e comiam uma refeição de três em três dias, recebendo pouco mais de 1 euro, por um dia de trabalho, depois de lhes serem "descontadas" verbas para pagar o transporte, o aluguer da casa, água e luz e para formalizar um contrato de trabalho que nunca existiu.

Para o causídico tratava-se de um caso de "cultura civilizacional", onde as pessoas viviam como no seu país, recebendo uma remuneração equivalente à da Roménia, mas "abaixo do que se paga em Portugal", rematou.

Hugo Machado sustentou que aos queixosos "faltava" receberem parte do dinheiro porque "o patrão não pagou a quem os angariou" concluiu.

A detenção dos quatro homens e a constituição como arguida de uma mulher, ocorreu numa herdade localizada na freguesia de Trindade, a 18 quilómetros de Beja, e eram descritos como os responsáveis pelo controlo dos trabalhadores, sendo Emil, de 49 anos, apontado como o chefe do grupo.

Esta foi a segunda detenção de indivíduos que se dedicam à exploração de pessoas a troca de falsas promessas de trabalho no espaço de três dias. Na segunda-feira foram detidos em Moura pela PJ, três homens com idades entre os 22 e 33 anos, pelo mesmo crime, que acabaram em liberdade, com apresentações diárias às autoridades.

Junto ao Tribunal de Beja, os filhos de Emil, tido como o cabecilha do grupo, apontaram o dedo a Sergiu como sendo o responsável pela situação. "Ele é que trazia as pessoas da Roménia e tratava do dinheiro", diziam, defendendo o progenitor.

Enquanto no tribunal eram ouvidos os quatro detidos, na delegação de Beja da Cruz Vermelha, onde os 24 cidadãos libertados têm estado alojados desde quarta-feira, realizou-se uma reunião entre as várias instituições que os têm a seu cargo, para decidir quando vão ser repatriados.