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Telefonista da cadeia de Coimbra detida com mais de quilo e meio de droga

Telefonista da cadeia de Coimbra detida com mais de quilo e meio de droga

Uma telefonista do Estabelecimento Prisional de Coimbra (EPC) foi detida, ontem, segunda-feira, pela Polícia Judiciária (PJ), por suspeita de tráfico de droga na cadeia onde trabalhava há cerca de 12 anos.

Foram-lhe apreendidos um quilo e meio de haxixe, cem gramas de heroína, várias drogas sintéticas (comprimidos e pastilhas), seringas e cartões com crétidos para efetuar chamadas telefónicas, que a arguida escondia no seu local de trabalho, no carro (estacionado em frente ao EPC) e em sua casa, na cidade de Coimbra.

A mulher, de 53 anos, divorciada e mãe de uma rapariga (desempregada), foi ouvida, ontem, pela PJ de Coimbra, em cujos calabouços pernoitou a aguardar apresentação ao juiz do Tribunal de Instrução Criminal, o que deverá acontecer esta terça-feira à tarde. Antes disso, a PJ deverá ouvir três reclusos (um deles funcionário do bar do EPC), suspeitos de envolvimento na alegada rede a que pertencia a telefonista.

Durante uma rusga feita, na tarde e noite de ontem, às três celas dos suspeitos - entretanto colocados em zona de segurança -, os guardas prisionais encontraram 93 gramas de haxixe e um telemóvel na posse de um preso que as autoridades acreditam que possa ter servido de "correio" entre a mulher detida e os reclusos.

A telefonista, que antes de trabalhar no EPC era funcionária do Instituto Português de Oncologia, é irmã de uma guarda no EPC, filha de um antigo sub-chefe (agora na reforma) da mesma cadeia, prima de um inspetor da PJ do Porto e sobrinha da idosa que foi assassinada a tiro, em novembro de 2012, em Coimbra, alegadamente por uma inspetora da Judiciária do Porto, natural da Figueira da Foz.

A operação, segundo fonte do Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional, foi desencadeada pelos guardas da Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP), que "já observavam/investigavam os movimentos estranhos dos suspeitos há algum tempo ".

Contou com o apoio de três equipas cinotécnicas da DGRSP do Porto e da PJ, que "formalizou a detenção da telefonista, uma vez que, ao contrário do que deveria acontecer, a Guarda da DGRSP não é um órgão de polícia criminal, pelo que não tem autoridade para ordenar uma detenção".

Aliás, a mesma fonte sindical reivindica não apenas "alteração legislativa que permita aos guardas prisionais equiparação a órgão de polícia criminal, para efeitos de detenção em locais de trabalho (prisões, tribunais e unidades de saúde), mas também maior investimento em meios técnicos de controlo de entrada de pessoas e bens nas cadeias".

"Um simples cão à entrada de uma prisão, é elemento dissuasor para quem ali pretende introduzir droga. Isso está provado", refere a mesma fonte, sugerindo que fossem instalados "sistemas de raio x" para passagem obrigatória de todos os que entram nas cadeias.