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Jovem que esfaqueou colegas em Massamá diz que era vítima de "bullying"

Jovem que esfaqueou colegas em Massamá diz que era vítima de "bullying"

Gonçalo A., de 15 anos, voltou esta terça-feira ao Tribunal de Sintra para ser ouvido pelo procurador do Ministério Público que preside à investigação do ataque ocorrido na tarde de 14 de Outubro, na Escola Stuart Carvalhais, em Massamá. Ao longo de sete horas, o menor, que foi internado compulsivamente num centro educativo, revelou as suas motivações, asseverando sempre que nunca quis matar ninguém e que era vítima de "bullying".

Sentia-se feio, desrespeitado e isolado. Ao procurador contou que nos últimos três anos em que frequentou aquela escola pública não fez um único amigo. Era discriminado por ser bom aluno, colocado de parte por ter boas notas e gozado nas redes sociais pelo seu modo de vestir. "Nerd" e "Marrão" eram as alcunhas com as quais tinha de lidar diariamente.

Naquela tarde de outubro, revelou, quis assustar os colegas, em jeito de vingança por tudo o que tinha passado e após lançar uma granada de fumo no interior de uma sala de aula, esfaqueou três colegas e uma funcionária com facas de cozinha trazidas de casa.

Na sua mochila foi encontrado um plano rabiscado onde se lia que o objetivo era matar 60 pessoas, mas Gonçalo desmentiu categoricamente essa intenção, revelando que só queria chamar a atenção.

O Ministério Público ouviu ainda o psicólogo que acompanha o menor no Centro Educativo dos Olivais, em Coimbra, sendo que este mencionou a postura colaborativa de Gonçalo ao longo do tempo em que está internado. Ao que foi possível apurar, o técnico explicou que o jovem terá tido vergonha de manifestar a sua tristeza e que interiorizou os momentos que viveu de forma negativa, acabando por tomar uma atitude extrema.

O aluno, que já recomeçou a sua atividade escolar, com um professor designado pelo centro, poderá vir a ser acusado pelo MP de terrorismo, tentativa de homicídio e posse ilegal de armas.

Ao JN o seu advogado, Pedro Proença, realçou que Gonçalo se encontra "muito mais calmo" e desejoso por voltar à sua vida normal. "Ele está arrependido e garante que não teve intenção de magoar ninguém. Pretende rapidamente poder voltar a estudar para fazer os exames do 11ª ano", disse, referindo ainda que vai permanecer em regime fechado onde está a realizar um "trabalho muito positivo".

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