Submarinos

Julgamento do caso dos submarinos prevê-se moroso devido a tradução

Julgamento do caso dos submarinos prevê-se moroso devido a tradução

Os arguidos do caso dos submarinos, relacionado com as contrapartidas resultantes da compra em 2004 pelo Estado português de dois submarinos alemães, começaram, esta segunda-feira a ser julgados. O julgamento prevê-se moroso, uma vez que a defesa dos três arguidos alemães solicitou a tradução em simultâneo, frase a frase, não admitindo resumos dos depoimentos.

O caso das contrapartidas resultantes da compra em 2004 pelo Estado português de dois submarinos alemães ao German Submarine Consortium (GSC) começou, esta segunda-feira, a ser julgado nas Varas Criminais de Lisboa.

Os arguidos já estão no tribunal, depois de sucessivos adiamentos. O julgamento prevê-se moroso, uma vez que a defesa dos três arguidos alemães, a cargo de Godinho de Matos, pediu ao tribunal que a tradução seja feita em simultâneo e frase a frase não admitindo resumos dos depoimentos.

Nas alegações introdutórias, o advogado dos arguidos alemães referiu que o processo não tem qualquer sustentação e defendeu o arquivamento total do caso, porque foram revistas as contrapartidas do contrato. Com o novo contrato deixou de haver danos para o Estado português, o que veio "extinguir a responsabilidade criminal dos arguidos", defendeu.

Nesta primeira sessão, todos os arguidos deram indicação que pretendem falar ao longo do julgamento.

Três administradores da empresa multinacional Man Ferrostal (que pertence ao consórcio alemão GSC) e sete empresários portugueses são os arguidos deste julgamento, que sofreu vários adiamentos desde o início de 2012, motivado por alterações no coletivo de juízes.

Horst Weretecki, que era vice-presidente da multinacional Man Ferrostaal, Antje Malinowski, sua subalterna, e Winfried Hotten, anterior responsável da empresa, são os arguidos alemães.

José Pedro Sá Ramalho, Filipe Mesquita Soares Moutinho, António Parreira Holterman Roquete, Rui Moura Santos, Fernando Jorge da Costa Gonçalves, António Lavrador Alves Jacinto e José Mendes Medeiros são os sete empresários portugueses ligados à ACECIA, um grupo de empresas de componentes para a indústria automóvel.

O Estado português contratualizou com o consórcio alemão GSC a compra de dois submarinos em 2004, quando Durão Barroso era primeiro-ministro e Paulo Portas era ministro da Defesa Nacional.

O DCIAP (Departamento Central de Investigação e Acção Penal) continua a investigar o processo principal relacionado com a compra dos dois submarinos, naquela que tem sido uma das investigações mais lentas da justiça portuguesa, tendo recentemente dito que iriam ser feitas novas diligências para as quais pediu a colaboração do antigo ministro da Defesa, Paulo Portas, e do atual, Aguiar Branco.

*Com Agência Lusa