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Mãe que se matou com o filho já tinha vencido um cancro

Mãe que se matou com o filho já tinha vencido um cancro

A professora de Vinhais que se atirou com o filho de uma janela do 4.º andar, em Bragança, no sábado, já tinha vencido um cancro da mama, sofria de um quadro depressivo e tomava muitos medicamentos.

Ainda não é conhecida a data dos funerais da mulher de 47 anos que, sábado à tarde, se atirou de uma janela do quarto andar do hotel Ibis, em Bragança, e do filho de 12 anos que por ela terá sido empurrado. Tudo indica que Manuela Paçó, professora de Matemática e vice-presidente da assembleia-geral da LEQUE - Associação Transmontana de Pais e Amigos de Crianças com Necessidades Educativas Especiais, responsável também pela Associação Vinhais Solidária, se tenha matado com o filho, que sofria de autismo.

As autópsias não foram realizadas durante o fim de semana e não foi possível confirmar com o Instituto de Medicina Legal se os corpos vão ser autopsiados e quando serão levantados.

Deixou um bilhete

O marido, Eurico Gonçalves, está recolhido em casa de familiares. A casa da família, em Vinhais, tinha ontem um aspeto deserto, sem ninguém e de persianas corridas. O presidente da Câmara de Vinhais, Américo Pereira, adiantou que Eurico Gonçalves foi levado para casa de um familiar por se encontrar em estado de choque e profundamente transtornado com a situação para a qual ninguém encontra qualquer explicação.

A mulher, recorde-se, deixou um bilhete manuscrito em que se despedia dos familiares.

Além de vice-presidente do agrupamento de escolas de Vinhais, Eurico Gonçalves é também presidente da Assembleia Municipal e uma figura muito conhecida no concelho.

Ontem, o autarca local ainda não tinha conseguido chegar à fala com ele. Na vila, a família era muito respeitada e o caso é referido com grande tristeza e pesar.

Todavia, sem grandes comentários, porque muitos estão ainda incrédulos com a tragédia, coisas a que até agora só assistiam pela televisão e liam nos jornais.

Festa foi cancelada

O município cancelou a festa associada à quarta-feira de cinzas, "Os diabos e o rosto da morte", uma tradição ancestral de Vinhais que envolve figuras demoníacas que desfilam pelas ruas e que a Autarquia resgatou ao esquecimento na última meia dúzia de anos.

Neste ano, as atividades contavam com a participação de alunos do agrupamento de escolas onde Eurico Gonçalves era vice-presidente. "Não há condições para fazer a festa dos diabos, pelo que decidimos adiar sine die", disse fonte da organização.