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Ministro lamenta "situação dos jornalistas" e distingue "manif" do Chiado da CGTP

Ministro lamenta "situação dos jornalistas" e distingue "manif" do Chiado da CGTP

O ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, lamentou, este sábado, a "situação dos jornalistas" que foram agredidos pela polícia na quinta-feira, e quis sublinhar a diferença entre os manifestantes do Chiado e os manifestantes da CGTP.

"Aquilo que aconteceu que se traduz na situação dos jornalistas é uma situação que eu lamento. Foram tomadas as medidas que deviam ser tomadas, no imediato, a Inspeção-geral da Administração Interna vai proceder à averiguação daquelas circunstâncias. A PSP disse já também sobre essa matéria está a proceder às averiguações daquilo que se passou", afirmou Miguel Macedo.

O ministro falava aos jornalistas à margem do Congresso do PSD, em Lisboa.

Sobre os protestos em geral, Macedo recusou comparações que considera não terem "nenhuma razão de ser", nomeadamente com a Grécia, e sublinhou que no dia da greve geral "houve em todo o país 38 manifestações, não houve nenhuma situação, a não ser pequenos incidentes sem nenhuma importância, na generalidade dessas manifestações".

O ministro frisou ainda as diferenças com os manifestantes do Chiado, referindo que "houve coisas que aconteceram antes" da intervenção da polícia, como "arremesso de pedras, arremesso de louça que estava em mesas de esplanadas, agressões a polícias".

"Aquilo que aconteceu no Chiado não tem nada a ver com a manifestação da CGTP, que decorreu tranquilamente, com sentido cívico e de tranquilidade. Quero sublinhar também que em frente à Assembleia da República há imagens em que elementos da CGTP não permitiram que fosse confundida a sua manifestação com aqueles elementos que provocaram a situação no Chiado", afirmou.

"A situação que ali se registou foi uma situação que lamento, mas cuja avaliação em concreto deve ser feita por quem deve fazer essa avaliação, não é evidentemente o ministro", afirmou, acrescentando que a "defesa da democracia é garantir a paz pública, segurança para que os portugueses possam viver tranquilamente", sendo isso uma "condição absoluta do exercício das liberdades".

Dois jornalistas, um da agência Lusa e outra da AFP, ficaram feridos na quinta-feira em incidentes com as forças policiais, no Chiado, em Lisboa, enquanto recolhiam imagens da manifestação organizada pela Plataforma 15 de outubro, no âmbito da greve geral convocada pela CGTP.

A Direção de Informação da Lusa protestou "com a maior veemência" contra "a agressão", por agentes da PSP, do fotógrafo da agência José Sena Goulão, que estava "devidamente identificado como jornalista".

"O comportamento das forças da PSP ao agredirem um jornalista em pleno exercício das suas funções constitui a prática de um crime e uma grave violação dos mais elementares direitos de personalidade do lesado, sem prejuízo da simultânea violação do Estatuto do Jornalista, razão pela qual a Lusa e o jornalista agredido se reservam o direito de recorrerem a todos os meios ao seu dispor para obterem a necessária e devida reparação pelos atos ilícitos cometidos", lê-se no texto assinado pela Direção de Informação da Lusa.

José Sena Goulão recebeu assistência no Hospital de São José, depois de inicialmente ter sido socorrido pelo INEM no local.