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Pais de vítimas do Meco fazem reconstituição da tragédia

Pais de vítimas do Meco fazem reconstituição da tragédia

Dez meses passados sobre o caso fatídico da praia do Meco, em Sesimbra, os pais das seis vítimas mortais reconstituíram, esta quarta-feira, o que terá sido o último percurso do grupo de estudantes da Universidade Lusófona, na noite de 15 de dezembro de 2013.

Acompanhados por Vítor Parente Ribeiro, o advogado que os representa e que se bateu pela reabertura do inquérito ao caso, os pais concentraram-se junto à moradia em Aiana de Cima, Sesimbra, cerca das 22.30 horas, arrancado para a praia onde os filhos foram levados por uma onda gigante.

A caminhada de 5,3 quilómetros, entre o local da tragédia e a casa alugada pelos alunos, envolveu 30 pessoas, entre pais, amigos e familiares.

"Que o senhor João Gouveia não contou a verdade, não contou", refere Fernanda Cristóvão, mãe de Catarina Soares, no final desta caminhada, perante a evidência de que este trajeto levou pouco mais de uma hora, terminando pelas 23.48 horas.

Os familiares fizeram o percurso de uma assentada, sem qualquer paragem, ao contrário do que aconteceu com os estudantes, há 10 meses. Segundo os pais, as vítimas terão parado pelo caminho cerca de 10 minutos. João Gouveia terá distribuído um ovo a cada um, com a missão de o protegerem até chegarem à praia, no que é encarado como um ritual de praxe.

O pai de Tiago Campos e a mãe de Carina Sanchez colocaram no final uma enorme coroa de flores no cimo de uma duna, onde as rochas, naturalmente, criaram um altar. As lágrimas percorrem as caras de todos os familiares, que se mostram prostrados perante este local de homenagem.

Ao JN, António Soares, pai de Catarina, referiu que o encontro serviu para provar o "hiato que existe nas horas descritas pelo João Gouveia sobre o caso".

"Há pelo menos uma hora que não está explicada. E, porque motivo levou tanto tempo a contactar as autoridades", frisou.

Segundo o advogado, há outras questões que carecem de explicação. Vítor Parente Ribeiro confirmou ao JN que foi requerido o acesso aos extratos de Via Verde da irmã e do cunhado de João Gouveia, que se suspeita terão estado com o "dux" naquela noite.

Foram, também, avaliados os registos do telemóvel de uma das vítimas, Catarina Soares, que na noite da tragédia acionou a antena de Oeiras, que fica na área de residência da irmã de João Gouveia, e, posteriormente, uma outra antena perto do Hospital Garcia da Horta, onde o "dux" foi assistido.

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