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Portugueses são "polícias do ar" no Báltico

Portugueses são "polícias do ar" no Báltico

Quatro aviões caça F16 portugueses vigiam o espaço aéreo do Báltico numa missão da NATO a que as "circunstâncias históricas" deram maior visibilidade, e que é justificada pela proximidade ao enclave russo de Kaliningrado.

"Há muitos voos que saem da terra-mãe russa que vêm aterrar em Kaliningrado, há um corredor aéreo inclusive, para essa rota. Significa que não é extraordinário, que pode até ser normal o facto de haver atividade, embora, efetivamente, no último mês, o que notámos foi um incremento dessa atividade aérea", afirmou aos jornalistas o comandante da missão portuguesa, tenente-coronel Carlos Lourenço.

Portugal lidera a missão "Baltic Air Policing" nos últimos quatro meses de 2014, operando a partir da Base Aérea de Siauliai, com um contingente nacional constituído por setenta militares da Força Aérea Portuguesa, seis F16 (quatro na base lituana e dois em prontidão na base área portuguesa de Monte Real), reforçada com um avião de patrulhamento marítimo P3.

Antes de percorrer, de avião, os cerca de 200 quilómetros que separam a capital lituana, Vilnius, de Siauliai, o ministro da Defesa Nacional, José Pedro Aguiar Branco, encontrou-se com o seu homólogo, Juozas Olekas, que acentuou que "a prontidão tem que aumentar porque a prontidão das ameaças tem aumentado também".

"A região de Kaliningrado é uma das mais militarizadas na Europa. A Rússia concentra lá forças, que estão modernizadas, voam, fazem exercícios nesta zona", afirmou, sublinhando que "a atividade de voos russos tem estado a aumentar" e que "a operação de policiamento aéreo proporciona um ambiente mais seguro".

A Lituânia aumentou o orçamento da defesa em 20% neste ano, um acréscimo que deverá chegar aos 30% no próximo ano, referiu Juozas Olekas.

Em Siauliai, Aguiar Branco almoçou com as tropas e antes de assistir a um exercício dos F16 disse aos militares portugueses que a história quis "que o contexto internacional" vivido atualmente atribuísse "visibilidade acrescida à Força Aérea Portuguesa ", recordando a interceção de aviões russos junto a Portugal, bem como no Báltico, na semana passada.

Aos jornalistas, o ministro quis sublinhar igualmente "a participação de Portugal numa missão importante, num momento importante".

A participação portuguesa dos F16 custa 6 milhões e 200 mil euros, um valor a que acresce a participação do avião de patrulha aérea P3, num valor "que anda na ordem dos dois milhões de euros", disse Aguiar Branco.

A decisão de reforçar a missão portuguesa com o P3 surgiu no seguimento das "medidas tranquilizadoras" definidas pela NATO em função da crise Ucrânia/Rússia.

Enquanto os F16 são aviões caça que já foram chamados a detetar e identificar atividade aérea em 15 circunstâncias desde que chegaram em setembro, o P3 é, nas palavras do comandante da missão, um "super avião" equipado com "super sensores", que "consegue detetar e identificar situações de âmbito marítimo e terrestre a uma longa distância, sem se denunciar e sem entrar na ameaça que pode constituir o território russo".

Os F16 têm feito "essencialmente a interceção de aeronaves russas", que identificam, reportam e regressam à base, contou aos jornalistas um piloto, cujo nome a Força Aérea pediu que não fosse divulgado por motivos de segurança.

"Eles estão em espaço aéreo internacional onde podem circular, mas não estão a cumprir os procedimentos com a aviação civil", explicou, acrescentando que esses aviões russos não estão "em infração" em termos de Direito Internacional, mas falham em comunicar informações ao controlo aéreo civil.

Para que os F16 voem há que os cuidar em terra, uma tarefa que tem como responsável máxima a tenente Vitalina Mendes, oficial de manutenção dos F16, uma da sete mulheres que participam na missão.

A tenente, que tem 50 homens a cargo, integrou a primeira recruta de mulheres na Força Aérea Portuguesa, em 1991, na Base Aérea da Ota, e fez o percurso até oficial desde a condição de praça.

Vitalina expressa um sentimento que a Lusa constatou junto de outros militares e também do piloto: "Normalmente toda a gente quer participar neste tipo de missão".

"Em Portugal estamos fechados nas bases, aqui não", contou a militar portuguesa que é substituída para regressa a casa dentro de uma semana. O contingente permanece em Siauliai e já tem regresso marcado para 2016.