Justiça

Presos incendeiam colchões solidários com colegas castigados

Presos incendeiam colchões solidários com colegas castigados

Três reclusos do Estabelecimento Prisional da Carregueira, em Sintra, agrediram dois guardas, ontem à tarde, após estes terem interpelado os presos, para revista, por suspeita de posse de droga, que um deles terá escondido na boca, disse, ao JN, fonte da Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais.

"A seguir à visita dos familiares e amigos aos reclusos, por volta das 16.30 horas, os guardas intercetaram três presos, suspeitando que um deles - não sabiam qual - escondia produto estupefaciente. Os indivíduos não gostaram e reagiram com violência", explicou fonte prisional.

Na sequência do incidente, os agressores foram transferidos cautelarmente para celas disciplinares individuais, o que suscitou polémica entre os colegas reclusos da ala B, que de imediato reagiram, protestando inicialmente com palavras e recusando ir jantar e, depois, incendiando quatro colchões.

"Gerou-se uma enorme confusão no 4º esquerdo da ala B. O fumo era intenso, muito espesso e negro. As chamas avistavam-se da rua. Os guardas, num total de 20, tentaram, como puderam, durante mais de uma hora, apagar o fogo e dominar a situação. Não foi fácil, mas por volta das 19 horas estava tudo controlado", contou a mesma fonte, acrescentando que vários guardas vomitaram, em consequência do fumo inalado, e estavam, à hora do fecho desta edição, em observação médica.

Segundo fonte da DGRSP, "os reclusos que incendiaram os colchões serão identificados por intermédio da videovigilância da cadeia e serão alvo de processos disciplinares, cuja pena poderá ir até um máximo 20 dias de isolamento".

Ao JN, Júlio Rebelo, presidente do Sindicato Independente do Corpo da Guarda Prisional, recusou adiantar pormenores sobre o incidente, mas não deixou de lamentar a falta de efetivos nas cadeias - "não há guardas suficientes para fazer revistas a presos e visitantes e para outros serviços importantes ", disse - e lembrou que o dispositivo de combate a incêndios existente nas cadeias, designadamente na Carregueira, é "insuficiente".