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PS afirma que suspeitas de corrupção ferem o Estado português

PS afirma que suspeitas de corrupção ferem o Estado português

O PS considerou, esta quinta-feira, "grave" a série de detenções feitas no âmbito da investigação sobre a atribuição de vistos "gold", adiantando que o caso "fere" o Estado português e coloca em causa a imagem externa do país.

Vieira da Silva, vice-presidente da bancada socialista, falava aos jornalistas após notícias de que a Polícia Judiciária (PJ) deteve 11 pessoas suspeitas de corrupção, branqueamento de capitais, tráfico de influência e peculato no âmbito de uma investigação sobre atribuição de vistos "gold".

Perante os jornalistas, o dirigente do Grupo Parlamentar do PS começou por se referir politicamente ao atual executivo PSD/CDS, dizendo que o 'visto gold' é um instrumento que "tem sido propagandeado como importante para a política económica do país, sobretudo ao nível externo".

"Ora, aquilo que tem vindo a ser divulgado aponta para um risco de estarmos perante fenómenos de gravidade elevada em torno desse programa. O PS vai acompanhar com a maior atenção estes acontecimentos, que considera muito graves, mas com a reserva necessária em relação a um processo que ainda está a dar passos que não permitem para já que se disponha da totalidade da informação", comentou o ex-ministro socialista, numa nota de prudência.

Vieira da Silva frisou depois que "não é bom para Portugal, para a imagem do país e para a política económica nacional que instrumentos deste tipo, políticas públicas, estejam associados a comportamentos menos próprios, quer se encontrem relacionados com eventuais casos de corrupção, quer estejam ligados também eventualmente à utilização desses instrumentos por pessoas provenientes de várias partes do mundo que tenham necessidade de aceder e viver num país como Portugal".

"Estamos perante acontecimentos graves, não apenas no que respeita à matéria, mas também no que se refere ao tipo de instrumento de política que foi aparentemente atingido", advogou.

Interrogado se o vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, deve ser chamado ao parlamento para dar explicações sobre a utilização da figura do 'visto gold', Vieira da Silva alegou que é preciso "dar tempo aos instrumentos de funcionamento do Estado de Direito - e, aparentemente, esses instrumentos estão a funcionar".

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"Vi já que da parte do Ministério da Administração Interna foi manifestada (como não poida deixar de ser) total disponibilidade para prestar toda a informação. Vamos acompanhar com atenção, mas também com a serenidade necessária, estes passos e depois tirar as ilações imperiosas sejam em que domínio for. Neste momento, estamos perante um caso que está a ser investigado", salientou o ex-ministro socialista.

Questionado se o PS está a adotar uma posição branda perante o caso, Vieira da Silva rejeitou essa perspetiva.

"Estamos perante um caso sério, mas que está a ser alvo de um processo de investigação. A nossa responsabilidade é deixar que as instituições do Estado funcionem e no momento certo retirar as ilações, sem qualquer precipitação no plano político", respondeu.

Interrogado se o caso poderá "chamuscar" membros do Governo, Vieira da Silva respondeu: "Caso se confirmem as informações vindas a público, julgo que é o próprio Estado português que é ferido por este tipo de práticas e utilizações indevidas destas políticas".

"Quando o Estado português é ferido, todos nós temos de olhar para os seus responsáveis. A existência de um dano significativo numa área política que era valorizada por este Governo e pelo Estado Português deve-nos merecer uma atenção especial e esperar que as instituições cumpram as suas funções", advertiu ainda o dirigente da bancada socialista.

Nesta operação da PJ em torno dos processos de concessão dos 'vistos gold' foi detido o diretor nacional do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), Manuel Jarmela Palos, a secretária-geral do Ministério da Justiça (MJ), Maria Antónia Anes, e o presidente do Instituto dos Registos e Notariado, António Figueiredo, de acordo com fontes do SEF e do Ministério da Justiça.

Em causa estão "suspeitas de crimes de corrupção, tráfico de influências, peculato e branqueamento de capitais", de acordo com a Procuradoria Geral da República (PGR).

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