Marinha

Submarinos espiam tráfico a 300 metros de profundidade

Submarinos espiam tráfico a 300 metros de profundidade

Os novos submarinos estão a ser intensamente usados no combate ao tráfico de droga, com capacidades que deixam a décadas de distância a antiga frota. Mas o custo total foi de mais de mil milhões.

O uso de submarinos no combate ao tráfico de droga, para vigiar os movimentos dos traficantes, era já uma das missões da anterior esquadrilha. Mas os dois novos submarinos - "Tridente" e "Arpão", em serviço na Armada desde 2009 e 2010, respetivamente - apresentam características de tal forma desenvolvidas que a Marinha não as pode revelar. Mesmo a 300 metros de profundidade, têm capacidade para seguir um alvo.

"Esse tipo de questões é de natureza reservada", salienta, a propósito, o Estado-Maior da Armada, embora o JN saiba que os submarinos têm sido usados na vigilância das costas de países usados por traficantes de droga. Quais são eles é uma matéria secreta, mas fontes militares adiantam que isso é possível graças "à tecnologia de que os novos submarinos são dotados" e à capacidade de ver, fotografar e filmar, de dia ou de noite, com bom ou mau tempo, graças a equipamentos e intensificadores que estão associados aos periscópios. E essa informação é depois passada à Polícia Judiciária.

A primeira e única missão reconhecida pela Armada ocorreu em julho de 2011, com o "Tridente", parcialmente divulgada apenas por razões que se prendem com a publicitação da compra dos dois navios, que custaram 1,026 mil milhões de euros ao erário público, grande parte do valor associada aos sensores e propulsão de que os submarinos dispõem.

A ação (a que corresponde o vídeo acima) foi a "Operação Luar Africano", orientada pela PJ, e que levou à apreensão de 1,7 toneladas de cocaína. Um pesqueiro namibiano foi seguido pelo "Tridente", a partir das costas do Golfo da Guiné, onde recebeu a cocaína, e foi intercetado ao largo do Algarve quando preparava o desembarque da droga.

Desde então mais missões de vigilância e seguimento têm sido realizadas, mas nunca divulgadas. Os discretos seguimentos dos alvos são feitos com o recurso técnico que os submarinos dispõem de poderem navegar imersos até 45 dias, quando a antiga frota já não excedia uma semana a 15 dias, em condições precárias.