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Tinha seis alvos a abater e matou duas mulheres

Tinha seis alvos a abater e matou duas mulheres

Manuel Faria matou a tiro a mulher e uma amiga, e tentou matar o companheiro desta, em Pinhal Novo, Palmela. Mas tinha uma lista de seis alvos a abater, com amigos da mulher e parceiros de negócios.

Belmira, uma das mulheres cujos nomes constavam na lista de Manuel Faria, de 58 anos, foi retirada de casa, de urgência, ao início da madrugada de ontem, depois de a GNR de Setúbal e de Palmela se terem apercebido de que ela também era um alvo a abater do agressor, soube o JN. As suspeitas é de que ele tinha uma lista com seis pessoas para matar.

Também Ancelina Gomes adiantou, ao JN, ter recebido, cerca das 8 horas de ontem, um aviso de uma pessoa amiga para que não abrisse o café: "Disseram-me que ele também me queria matar".

Ancelina e Belmira eram amigas íntimas de Cecília Faria, de 53 anos, mulher do homicida, assassinada a tiro em casa. Manuel atribuía os problemas no casamento às amigas de Cecília. E houve mais gente, envolvida em negócios com o agressor, que foi alertada e fugiu de casa com medo de ser morta.

Durante toda a noite de anteontem, madrugada e manhã de ontem, a GNR de Setúbal, de Palmela, com a própria Unidade de Intervenção, e a PJ andaram numa caça ao homem, num raio de quinze a vinte quilómetros, com receio da continuação do banho de sangue. "Só se via a GNR, de noite, aí pelo meio das vinhas, à procura do marido da Cecília", recordou Daniel Coelho. Já Manuel Faria tinha morto a tiro a mulher, cerca das 22 horas de domingo, e uma amiga, Cidália, de 56 anos, uma hora depois, e tentado atingir o companheiro desta, que escapou ao atirar-se para trás de um carro e fingindo estar morto.

Manuel Faria, que saiu daquele local com a caçadeira com que matara mulher e amiga, foi encontrado morto, pela GNR, perto da casa de Cidália. Suicidara-se com as armas do crimes.

Casamento e doença

A causa do duplo homicídio e suicídio parece estar num casamento problemático e numa doença cancerosa. "Foi-lhe diagnosticado um cancro na próstata e ele ficou desesperado", contou um amigo ao JN. O médico disse a Manuel Faria que ele só teria seis a sete meses de vida.

Faria, homem alegre que convivia com toda a gente, ficou triste, reservado e cabisbaixo.

"Parecia que tinha uma depressão", apontou, ao JN, a funcionária do café onde o homicida era cliente.

Além disso, também estaria a passar por problemas financeiros. Homem da terra, habituado a fazer searas e campanhas agrícolas, viu-se, com a crise, a viver dificuldades financeiras.

Não obstante todos os problemas, ninguém previa que viesse cometer um duplo homicídio.

"Ainda na sexta-feira foram ao baile", lembrou Diomar Simões, amiga do casal, lembrando que Manuel Faria fora com a mulher, Cidália e o companheiro desta, e Belmira a um bailarico na zona. Dois dias depois, cometeu o duplo homicídio e suicidou-se. v