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Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos estranha que se debata "medida de excepção e não de primeira linha"

Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos estranha que se debata "medida de excepção e não de primeira linha"

A presidente da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos estranhou que se inicie um debate sobre a eutanásia, uma "medida de excepção", quando faltam as medidas "de primeira linha", que são os cuidados paliativos.

Num comentário à apresentação de uma moção sectorial para debater a eutanásia no próximo congresso do Partido Socialista, Isabel Galriça Neto argumentou ser "fundamental discutir o problema do sofrimento dos doentes em final de vida", defendendo os cuidados paliativos a que têm direito.

"São os cuidados de saúde especializados que fazem com que os doentes não estejam a sofrer", resumiu a responsável à Lusa, estranhando que se esteja a "inverter o debate".

Para Isabel Galriça Neto devia ser discutido o problema da falta de respostas de cuidados paliativos.

A presidente assegurou que são "poucos" os portugueses que recebem cuidados paliativos. "Não se ultrapassam em respostas 10 por cento das necessidades", sublinhou.

Isabel Galriça Neto considerou ainda ser "perigoso" propor aos portugueses uma discussão sobre eutanásia quando a maioria "não recebe cuidados paliativos, não os conhece e não sabe do que se está a falar".

"Os cuidados paliativos são um direito humano", concluiu.

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O dirigente socialista Augusto Santos Silva afirmou hoje estar de acordo com a possibilidade do debate sobre a eutanásia se travar, já que se trata "de uma questão complexa e delicada".

"O PS, a sociedade civil, os profissionais de saúde e as instituições religiosas devem fazer esse debate. Há já um forte consenso na sociedade portuguesa no sentido de poupar os moribundos ao sofrimento desumano. Mas uma coisa é defender essa posição e outra coisa é defender a eutanásia", declarou o dirigente socialista.

A moção sectorial que pretende gerar o debate em torno da eutanásia é subscrita pelo deputado socialista Marcos Sá, pelo presidente do PS, Almeida Santos, e pelo secretário de Estado da Saúde, Manuel Pizarro.

Em declarações ao DN e TSF, Marcos Sá disse pretender abrir um debate tendente à legalização da eutanásia.

Na sua perspectiva, a morte medicamente assistida só poderá ser permitida em caso de estado terminal irreversível e se for expressamente autorizada pelo próprio doente: ou estando lúcido ou, não o estando, através do chamado "testamento vital" (assinado em consciência, previamente, e em que a pessoa define as condições em que admite a morte medicamente assistida).

"Esta é uma matéria exclusiva da liberdade individual", afirmou.

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