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Baixa fertilidade penaliza produtividade e economia em Portugal

Baixa fertilidade penaliza produtividade e economia em Portugal

O decréscimo populacional em Portugal, um dos países com mais baixa taxa de fertilidade em todo o mundo, vai afectar a produtividade e o crescimento económico, alertam especialistas das Nações Unidas.

Richard Kollodge, um dos autores do Relatório sobre a Situação da População Mundial 2011, apresentado na quarta-feira em Nova Iorque, sublinhou que são cerca de 80 os países em todo o mundo na mesma situação que Portugal, em que a taxa de fertilidade é tão baixa que a tendência da população é encolher.

As respostas são diversas e vão desde fomentar a imigração a subsidiar a natalidade.

"Todos estes países estão a lidar com as consequências [do decréscimo populacional] de levar a população a um maior envelhecimento e o que isso significa em termos de crescimento económico", disse à Lusa o responsável do Fundo das Nações Unidas para a População (FNUP), a cerca de cinco dias de a população mundial atingir sete mil milhões de habitantes.

A economia, sublinha, será afectada pela falta de trabalho e menor produtividade, enquanto a nível social, o envelhecimento da população obriga a um maior investimento no apoio à terceira idade.

Portugal vai ter nos próximos quatro anos a segunda mais baixa taxa de fecundidade do mundo, com apenas 1,3 filhos por mulher, apenas ultrapassado pela Bósnia-Herzegovina (1,1), segundo o estudo.

Em relação à fecundidade, Portugal tem indicadores iguais à Áustria e Malta, seguindo-se a Hungria, Japão, Coreia do Sul, Macedónia, Polónia, Roménia e Eslováquia, com 1,4 filhos por mulher com idades entre os 15 e os 49 anos. Alemanha, Albânia, Bulgária, Bielorrússia, Geórgia, Itália e República Checa surgem depois, com uma taxa de 1,5.

Barbara Crossette, co-autora do estudo, contrasta as experiências de Finlândia e Macedónia, dois países afectados pelo envelhecimento e decréscimo populacional, que visitou recentemente.

Para estimular a fertilidade, o governo macedónio optou por pagar às mulheres a partir do 3 filho, mas o incentivo parece ter pouco efeito.

"Muitas mulheres com que falei disseram `nem pensar, não por causa do Estado, é uma decisão que tomo eu própria, com o meu marido e a minha família, ou então tenho filhos fora de um casamento", disse à Lusa Crosette.

"Estavam mais interessadas em seguir as suas carreiras, à espera de [a Macedónia] entrar na EU. Querem aproveitar a sua mobilidade, educação, por aí em diante", refere.

Já a Finlândia não oferece subsídios, mas dispõe de uma "rede social maravilhosa, de centros de dia, hospitais e berçários".

"É fácil para as mulheres ter família, e muitas escolhem não o fazer, casar-se mais tarde. Mas não é política do governo dizer `queremos mais pessoas"", adiantou à Lusa.

O estudo do FNUP coloca Portugal também na esperança de vida com um dos mais elevados valores entre os 188 estados, com uma previsão de 83 anos para as mulheres e 77 para os homens que nasçam até 2015.

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