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Bento XVI falou de "águas agitadas" no último ato público do pontificado

Bento XVI falou de "águas agitadas" no último ato público do pontificado

Bento XVI garantiu, esta quarta-feira, na última mensagem aos católicos de todo o mundo, que "Deus não deixará afundar" a Igreja, mesmo em "águas agitadas", afirmando que após a demissão vai continuar a apoiar a Igreja com orações.

"Estou verdadeiramente comovido e vejo a Igreja viva", disse, em resposta às exclamações calorosas da multidão na praça de São Pedro.

Frágil mas sorridente, o papa, de 85 anos, tinha dado antes uma volta à praça, a bordo do "papamóbil". A multidão empunhava bandeiras de vários países e cartazes em que se podia ler "obrigado" em diferentes línguas.

O papa quis deixar uma mensagem de confiança, antes da partida na quinta-feira: "nestes últimos meses, senti que as minhas forças diminuíam e pedi a Deus, com insistência, em oração para me iluminar com a sua luz, para que eu pudesse tomar a decisão mais justa".

"Dei este passo com plena consciência da sua gravidade e inovação, mas também com grande serenidade de alma", garantiu Bento XVI em português.

Em oito anos de pontificado, reconheceu, numa alusão aos escândalos e controvérsias, que "também houve momentos difíceis, durante os quais as águas estavam agitadas e o vento era contrário, como em toda a história da Igreja, e em que o Senhor parecia dormir".

"Mas sempre soube que a barca da Igreja não é minha, não é nossa, mas é a barca de Deus e Ele não deixará afundar a Igreja", sublinhou.

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Numa referência ao dia em que se tornou papa, a 19 de abril de 2005, Bento XVI lembrou que "um grande peso foi colocado sobre os meus ombros" e que "a dimensão privada da sua vida foi completamente apagada".

Joseph Ratzinger afirmou que se retirava, a partir de agora, de qualquer atividade política, mesmo se um papa "nunca pode voltar a uma vida privada".

"A minha decisão de renunciar ao exercício ativo do ministério não muda isso: não regresso à vida privada, a uma vida de viagens, de encontros, de receções, de conferências, etc... Não abandono a cruz, mas contínuo de uma nova forma perto do Senhor crucificado", afirmou.

"Deixo de assumir a tarefa do governo da Igreja, mas continuo ao serviço da oração. São Bento (fundador da grande ordem contemplativa dos beneditinos), de quem tenho o nome como papa, será um grande exemplo", disse. "Vou continuar a acompanhar o caminho da Igreja na oração e reflexão", assegurou.

Na quinta-feira, Ratzinger termina as suas funções sem qualquer cerimónia, partindo num helicóptero para Castel Gandolfo.

Bento XVI, de 85 anos, anunciou a 11 de fevereiro que não tinha mais forças para desempenhar as suas funções, perante os desafios de um mundo em plena mutação.

Um novo papa será escolhido até à Páscoa, a 31 de março, disse o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, anunciando que um conclave deve ser organizado entre 15 e 20 dias após a resignação do pontífice.

O último chefe da Igreja Católica a renunciar foi Gregório XII, no século XV (1406-1415).

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