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Bispo do Porto alerta que políticos deviam digladiar-se menos

Bispo do Porto alerta que políticos deviam digladiar-se menos

O bispo do Porto considerou, este domingo, que a ação do poder político na gestão da crise económica podia ter sido "diferente", apoiando mais os necessitados em vez de perder tempo a "digladiar-se" e em "contendas estéreis".

"Quando o bem e a dignidade das pessoas está em causa não podemos perder tempo com discussões estéreis e inúteis, mesmo que as causas e posições políticas sejam antagónicas", afirmou António Francisco dos Santos, em entrevista à agência Lusa.

O bispo frisou que o poder político desperdiça "muito" tempo a pensar naquilo que o separa e diferencia, não sabendo sentar-se à mesma mesa, ultrapassar as contendas e discutir os problemas da população.

"O país merece que nos sentemos, reflitamos e proponhamos todos juntos o bem para todos", disse António Francisco dos Santos, acrescentando que são necessárias pessoas que pensem em conjunto para decidir o futuro de todos, sobretudo dos que mais sofrem.

Em situação de crise económica, o bispo do Porto lamentou que o poder político perca mais tempo a "digladiar-se" do que a partilhar corresponsabilidades e a dar respostas comuns a causas comuns. António Francisco dos Santos realçou que é positivo e benéfico haver ideologias políticas diferentes, mas é "essencial" haver "unidade e comunhão" nas decisões do país.

"Penso que ainda há muito a fazer", considerou.

O bispo do Porto realçou que a Igreja Católica tem, nesta situação, uma missão de denúncia e de pedagogia. "O nosso modo de trabalhar, seja com o Estado, autarquias, instituições ou comunidades, devia servir de exemplo aos políticos", defendeu.

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A Igreja Católica não quer impor-se, mas servir de exemplo no exercício da corresponsabilidade, ressalvou. "Talvez os partidos políticos pudessem aprender com esta lição de pedagogia", salientou o responsável pela diocese do Porto.

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