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Câmara hiperbárica trata doentes graves

Câmara hiperbárica trata doentes graves

A câmara hiperbárica do Hospital de Pedro Hispano, em Matosinhos, vai passar a tratar doentes dos cuidados intensivos com gra-ves infecções necrotizantes dos tecidos moles (gangrenas), já a partir de Novembro.

O tratamento na câmara hiperbárica - equipamento que permite submeter o paciente a uma pressão ambiental superior à atmosférica respirando oxigénio puro - vai funcionar como antibiótico, tentando matar a bactéria que mata a pele.

Algumas infecções, tal como as necrotizantes dos tecidos moles ou as dos ossos (osteomiolites), são um dos grupos de doenças que podem ser tratadas através da medicina hiperbárica. No caso das primeiras, a mortalidade acaba por ser reduzida em 20%. "A morte por infecção necrotizante dos tecidos moles ronda os 30%. Com a medicina hiperbárica, a estatística pode ficar pelos 10%", pormenorizou Óscar Camacho, coordenador do grupo de medicina hiperbárica, do Hospital de Pedro Hispano.

A funcionar naquele hospital há três anos, a câmara hiperbárica tem tratado três grandes grupos de doenças: as infecções, as feridas de cicatrização e as lesões radicas tardias (consequência de tratamentos por radioterapia).

"No caso das feridas, tratam-se os pés diabéticos ou queimaduras; no caso das lesões radicas tratam-se todas as lesões que sejam consequência da radioterapia, como, por exemplo, inflamações na bexiga, no recto, ou nos intestinos que, normalmente, aparecem uns anos depois do tratamento de radioterapia", explicou Óscar Camacho. "Basicamente, a câmara hiperbárica vai ajudar na cicatrização dos tecidos", resumiu.

Cada sessão pode demorar até duas horas e, tanto nas feridas como nas lesões radicas, podem ser prescritas cerca de 30 sessões.

Para algumas situações agudas, como a intoxicação por monóxido de carbono, também pode ser aplicada a medicina hiperbárica. "Este é uma das intoxicações mais comuns em Portugal. Pessoas que, por exemplo, passaram horas à lareira" , exemplificou o médico. Esta intoxicação pode levar à morte ou a lesões neurológicas, designadas de síndrome neurológico tardio, que levam a sérias alterações de comportamento. "Passado um tempo, a pessoa começa a ter perdas de memória, a ser agressiva e acaba com a desinserção social", disse.

Para este tipo de intoxicaçã não há nenhum tratamento alternativo. A câmara configura-se a solução, sendo que há apenas quatro em todo o país. "Fazia algum sentido criar uma via verde para o Hospital Pedro Hispano - ou para o hospital mais próximo com câmara hiperbárica - para quem tenha sido sujeito a este tipo de intoxicação, tal como há uma via verde para as pessoas que sofreram um enfarte", defendeu aquele especialista. A câmara pode ainda tratar casos de surdez súbdita. "A surdez idiopática pode ser tratável na câmara Hiperbárica e alguns casos a pessoa recupera a sua audição", contou.

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