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Cardeal Patriarca exige "equidade" nos sacrifícios pedidos aos portugueses

Cardeal Patriarca exige "equidade" nos sacrifícios pedidos aos portugueses

O cardeal Patriarca de Lisboa defendeu, esta segunda-feira, em Fátima, equidade nos sacrifícios que se pedem aos portugueses, numa altura em que o país atravessa um "período difícil".

"Esta equidade não é apenas matemática. Supõe o discernimento para ver as implicações de cada decisão no bem comum. Pode acontecer que se peçam sacrifícios que acabem por prejudicar o bem colectivo" afirmou D. José Policarpo.

O cardeal exortou ainda os políticos, governantes e dirigentes a "assegurar o bem comum" e alertou: "Só os que servem merecem as honras da glória e do triunfo".

Na intervenção que abriu os trabalhos da assembleia plenária da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) que decorre em Fátima até quinta-feira, o cardeal lembrou que a actual crise "é complexa" e exige que todos falem a verdade.

"Que ninguém atraiçoe a verdade, que ninguém se sirva do sofrimento colectivo para impor as suas verdades. O amor à verdade não é apenas teórico; exprime-se no concreto das situações, e quanto mais dramáticas elas são, mais cuidada deve ser a sua busca", afirmou.

Frisando que "a responsabilidade é de todos" e que ninguém "está isento de procurar perceber qual é o seu contributo para a solução das dificuldades", D. José Policarpo criticou aqueles que "teimam em pedir tudo ao Estado, exorcizando a própria designação de actividade privada como manifestação inevitável do egoísmo e da busca de interesses particulares".

"A doutrina social da Igreja está consciente de que nunca, mas sobretudo nos momentos mais difíceis, o bem da comunidade só se consegue sem o contributo de todos. Se isto exige ao Estado que, no discernimento dos caminhos equilibre harmonicamente essa variedade de contributos, exige a todos a generosidade de atitudes exigidas pelo bem comum", disse ainda.

Falando aos bispos portugueses, o Patriarca de Lisboa lembrou que estes momentos difíceis por que passa a sociedade portuguesa, podem "pôr em questão níveis de vida conseguidos, trazendo para todos a exigência da austeridade e, porventura, agravando a situação dos mais desfavorecidos".

Este agravamento, admitiu "pode ser o resultado das medidas adoptadas para vencer a presente crise", garantindo "aos mais pobres e aos que sofrem" que "a Igreja fará por vós e convosco, tudo o que puder".

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