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Católicos acorreram às missas dos cardeais favoritos antes do conclave

Católicos acorreram às missas dos cardeais favoritos antes do conclave

Alguns dos cardeais que são dados como favoritos para suceder ao papa Bento XVI celebraram este domingo missas em Roma, antes de se recolherem em conclave, no Vaticano, a partir de terça-feira.

A partir desse dia, os 115 cardeais vão estar afastados dos olhos do mundo, na Capela Sistina, para escolher aquele que irá liderar 1,2 biliões de católicos, na sequência da renúncia histórica de Bento XVI, a 11 de fevereiro.

O cardeal brasileiro Odilo Scherer, cuja cotação está em ascensão, atraiu um grande número de crentes durante a missa que celebrou na igreja de Santa Andreia, em Roma.

De acordo com o cardeal de São Paulo, a atmosfera das reuniões preparatórias que aconteceram na última semana "foi muito fraterna, e o espírito prevalecente foi de responsabilidade por toda a Igreja".

Também o cardeal norte-americano Sean O'Malley, igualmente visto como um possível sucessor de Bento XVI, disse na missa que hoje celebrou: "O mundo católico está unido em oração", antes do conclave.

"Rezemos para que o Espírito Santo escolha um novo papa que nos confirme a fé e torne mais visível o amor do Deus pastor", disse aos crentes presentes na Igreja de Santa Maria da Vitória.

Numa referência aparente ao crescimento do secularismo que parece desafiar atualmente a Igreja Católica, O'Malley baseou a sua homilia na parábola do filho pródigo, que foge de casa, mas quando regressa é acolhido de braços abertos pelo seu pai.

"As pessoas abandonam Deus, a Igreja, por várias razões: ignorância, medo, mau acolhimento, experiências negativas, escândalos e mediocridade espiritual", disse.

Outro favorito na futura liderança do mundo católico é o cardeal italiano Angelo Scola, um teólogo conservador que hoje celebrou missa na Igreja dos Doze Santos Apóstolos, rodeado de dezenas de fotojornalistas.

"Acho que é um bom homem e seria um bom líder para ajudar a fortalecer a Igreja. Estou a rezar por ele", disse à agência AFP Maria Bettini, uma crente de 69 anos.

Mas a cabeleireira Giuseppina Fazzo, de 47 anos, não ficou convencida:" Não sei se Scola é a pessoa certa para ser papa porque precisamos de uma mudança radical na Igreja".

Quase ao lado, na basílica de Santa Pudenziana, a comunidade filipina em Roma reuniu-se às centenas para ouvir a missa celebrada pelo cardeal Luis Antonio Tagle, considerado outro "papabile" (candidato a papa).

Meliros Gangani, de 53 anos, chegada à Itália há 26 anos, e voluntária na Igreja nas horas livres, manifestou-se esperançada na escolha de Tagle porque "ajudaria muito à união da comunidade".

Na Igreja da Natividade, os crentes que acorreram à missa do padre congolês Justin Golo, esperam que o cardeal ganês Peter Turkson seja o eleito pelo conclave como um sinal de entrada da Igreja Católica nos tempos modernos.

"Seria um sinal forte. A Igreja na Europa já não tem muito a oferecer. Mas em África as pessoas vivem muito a fé e as igrejas estão cheias", sustentou o padre.

Também o cardeal-patriarca de Lisboa, José Policarpo, celebrou hoje missa em Roma, tendo declarado que o futuro Papa deve ter um papel fundamental na "reconstrução do rosto da Igreja".

"O futuro Papa tem um papel que esperamos muito grande na reconstrução do rosto da Igreja", afirmou o cardeal português, numa homilia na Igreja de Santo António dos Portugueses, citado pela SIC.

José Policarpo, que terá direito a voto na eleição do futuro líder da Igreja no Conclave, afirmou também que a Igreja Católica deve ser "cada vez mais a casa da conversão e do perdão" e que o sucessor deve ser "os braços abertos de um pai que acolhe".