Austeridade

Comunidade Vida e Paz pondera reduzir ceia para a poder distribuir por mais pessoas

Comunidade Vida e Paz pondera reduzir ceia para a poder distribuir por mais pessoas

A Comunidade Vida e Paz admite reduzir a quantidade de alimentos que distribui diariamente aos sem-abrigo para poder apoiar mais pessoas, uma vez que têm aumentado os pedidos de ajuda de famílias com graves dificuldades financeiras.

Para responder ao aumento da procura, a Comunidade Vida e Paz já reforçou "duas ou três vezes este ano" o número de ceias nas carrinhas, colocando neste momento "a hipótese de ter que reduzir um bocadinho a quantidade da ceia para a poder multiplicar", disse à agência Lusa o presidente da organização, Henrique Joaquim.

Mais de 500 voluntários percorrem todas as noites 96 locais da cidade, distribuindo alimentos e agasalhos aos sem-abrigo numa tentativa de criar uma relação de confiança para os ajudar a mudar de vida.

Recentemente tem aparecido muitas pessoas a pedir ajuda à instituição que não são sem-abrigo. São mães com filhos, idosos e casais que têm casa, mas estão atravessar graves dificuldades económicas.

"Estamos a notar um acréscimo de pessoas a procurar a nossa ajuda que não são os típicos sem-abrigo" e que, muitas vezes, nem querem estabelecer uma relação com os voluntários devido a "alguma vergonha", disse o presidente da Comunidade Vida e Paz (CVP).

"São pessoas que ainda têm a sua casa, mas já precisam de apoio e para nós é significativo porque não fazemos distribuição alimentar. Aquilo que damos é uma pequena ceia que serve de pretexto para estabelecer uma relação com o sem-abrigo", explicou Henrique Joaquim.

Mas também tem surgido um "número significativo de pessoas que estão há menos de seis meses na rua", a maioria com idades entre os 35 e os 55 anos.

"As pessoas que estão na rua há seis meses ou um ano, provavelmente, são vítimas da atual situação, mas o que observamos é que o desemprego não é o único problema", havendo também problemas familiares e de toxicodependência, o que torna a situação ainda mais complexa.

Os voluntários nem sempre conseguem dar resposta a todos os pedidos. "Temos vindo a constatar que, por vezes, as nossas equipas já terminam o seu circuito, que são quatro todas as noites, cumprindo a missão que é de ir ao encontro das pessoas mas já sem ceia para dar".

Em média, por noite, a instituição está a contactar cerca de 505 pessoas. Para este trabalho, conta com a ajuda dos portugueses e dos financiamentos públicos para as comunidades terapêuticas e de inserção.

Mas, a CVP tem sentido dificuldades porque o apoio que vai recebendo dos particulares, apesar de continuar a ser significativo, tem diminuído.

"Também temos vindo a sentir dificuldades da parte das entidades públicas em continuar a prestar-nos o apoio que prestavam", lamentou, rematando: "estamos com um aumento da procura e uma diminuição de resposta, mas continuamos a fazer a oferta".

No ano passado, mais de 300 pessoas aceitaram a ajuda da instituição e foram encaminhadas para os centros da CVP, enquanto outras 1.000 foram atendidas pela equipa técnica que faz a primeira triagem.

"Infelizmente são números que demonstram o problema e as necessidades que as pessoas estão a viver e as dificuldades que estão a passar", frisou Henrique Joaquim.

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