Protesto global

Confrontos em Roma e tensão em Lisboa no mundo "indignado"

Confrontos em Roma e tensão em Lisboa no mundo "indignado"

Milhares de pessoas saíram este sábado à rua um pouco por todo o mundo, para juntarem a sua voz ao "movimento dos indignados". Os momentos de maior tensão viveram-se em Roma mas também em Lisboa, que será palco de nova manifestação a 26 de Novembro. Dois manifestantes foram detidos nas escadaria da Assembleia da República.

Duas pessoas foram detidas, este sábado, cerca das 23 horas, quando a polícia tentava desimpedir a escadaria da Assembleia da República. Os ânimos exaltaram-se, mas foi uma situação que foi facilmente controlada pelas autoridades.

Horas antes, no Porto, milhares de pessoas manifestaram-se desde a Praça da Batalha, até à Avenida dos Aliados. O protesto, que teve início às 15.00 horas, ganhou ênfase com gritos de ordem como "Não pagamos", "Greve geral nacional" e "Reage! Democracia não é medo", que acompanharam o desfile.

O momento de maior tensão aconteceu quando os manifestantes tentaram subir a rampa que dá acesso à porta da Câmara Municipal. As forças de segurança que estavam no local, tentaram, em vão, contrariar o movimento da multidão.

"Fora, fora daqui, a fome, a miséria e o FMI" foram das palavras de ordem gritadas na manifestação de "indignados" em Lisboa.

A marcha partiu do Marquês de Pombal rumo a São Bento. Mas um ovo atirado contra a escadaria da Assembleia da República originou um situação de tensão entre os manifestantes quando a polícia foi deter a pessoa que terá feito o arremesso.

Os ânimos exaltaram-se e várias dezenas de elementos do corpo de intervenção da PSP formaram um cordão ao cimo da escadaria da Assembleia.

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Em Coimbra, a manifestação contou com o bastonário da Ordem do Advogados. Marinho e Pinto disse que participou no protesto enquanto cidadão. "É preciso que esta indignação dê um salto qualitativo no sentido de responsabilizar quem conduziu o país" a este ponto, afirmou, especificando que se referia a empresários, políticos... a toda "uma elite que tem dominado".

Centenas de pessoas saíram também à rua em Braga, Évora e Faro. No Funchal e em Angra do Heroísmo a adesão ao protesto foi mais reduzida.

Confrontos em Roma

Em Roma, Itália, várias montras de lojas foram vandalizados e alguns carros incendiados, durante o protesto.

Os manifestantes partiram janelas e incendiaram, pelo menos, dois carros, e agrediram duas equipas de reportagem da Sky Itália. Outro queimaram bandeiras italianas e da União Europeia.

A polícia italiana recorreu então a gás lacrimogéneo e canhões de água para tentar controlar alguns dos manifestantes.

Em Londres, centenas de participantes montaram um acampamento junto à Catedral de São Paulo, depois da polícia ter impedido o acesso dos manifestantes à praça Paternoster, que é propriedade privada mas que normalmente é frequentada pelo público.

Na multidão era possível observar muitos estrangeiros, famílias com crianças e pessoas de diferentes idades, mas também alguns activistas mais experientes deste tipo de acções.

Em Madrid,os manifestantes abarrotaram a "Puerta del Sol", a emblemática praça madrilena que esteve na raiz do movimento 15-M, nascido em Maio deste ano. Depois de um Verão dominado por movimentações mais centradas nos bairros, os "indignados" regressaram ao modelo de marcha de nível nacional. Outras 60 cidades espanholas aderiram aos protestos globais convocados para este sábado, pedindo "uma mudança global". Mais de 60 mil pessoas participam na manifestação de Barcelona, segundo estimativas da autarquia e da polícia autonómica, os Mossos d'Esquadra.

Em Bruxelas, na Bélgica, milhares de pessoas "indignadas" terminaram, cerca das 19 horas locais, uma marcha que começou às primeiras horas da tarde e atravessou parte da cidade, até findar a poucos metros das instituições europeias.

Sempre acompanhados por um forte dispositivo policial, milhares de activistas vindos de diversos países partiram da estação do Norte da capital belga até à rotunda de Schuman, perto da Comissão Europeia e do Conselho Europeu, depois de terem passado perto da Praça da Bolsa, no centro nevrálgico da cidade, e da embaixada norte-americana, onde pretendiam manifestar-se. Foram impedidos pelo dispositivo das autoridades.

Em Nova Iorque, cerca de 500 pessoas marcharam pelo centro financeiro, em protesto contra a "ganância empresarial".

Acompanhada por um numeroso cordão de polícias a pé e de mota, os manifestantes tocaram tambores, cornetas e outros instrumentos musicais e empunharam bandeiras vermelhas e norte-americanas e cartazes com mensagens como "nós somos os 99%".

A marcha decorre de forma pacífica, embora com alguns momentos de tensão, sobretudo quando passam por sedes de bancos ou balcões.

No Canadá, milhares de canadianos indignados estão a manifestar-se, este sábado, em mais de uma dezena de cidades, exigindo justiça económica, não existindo, até ao momento, registo de distúrbios.

As manifestações, que incluem marchas de protestos ou meras concentrações de pessoas, decorrem em várias regiões do país, assumindo particular destaque as cidades de Toronto, principal centro financeiro canadiano, e Montreal em Vancouver.

O corte de uma das principais artérias de Telavive, Israel, esteve na origem das tensões entre manifestantes israelitas e polícia.

Cerca meio milhar de manifestantes cortaram com contentores a circulação da Avenida Rotshild, diante de um edifício ocupado pelo movimento dos indignados, tendo a polícia sido chamada a intervir.

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