Direitos humanos

CPLP está a "correr grande risco" ao acreditar na Guiné Equatorial

CPLP está a "correr grande risco" ao acreditar na Guiné Equatorial

A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa "está a correr um grande risco" ao acreditar nas promessas de respeito dos direitos humanos do regime da Guiné Equatorial, alertou a organização "Human Rights Watch".

"Este é mais um exemplo dos esforços do presidente Obiang [Nguema] para obter reconhecimento na cena internacional fazendo promessas de direitos humanos que nunca cumpre", comentou Lisa Misol, investigadora da organização Human Rights Watch (HRW), à agência Lusa.

Ao aceitar a adesão da Guiné Equatorial, acrescentou, "os líderes dos países de língua portuguesa estão a correr um enorme risco" e sugere que seja imposto uma "avaliação independente" do regime em termos de direitos humanos.

"De outra forma, o presidente Obiang vai usar isto como uma propaganda de vitória e a comunidade fracassará em assegurar um progresso real em termos de respeito dos direitos humanos", sublinhou.

A entrada da Guiné Equatorial - um dos maiores produtores de petróleo de África - como membro de pleno direito da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), por consenso e sem votação, foi anunciada em Díli, onde está a decorrer a décima cimeira de chefes de Estado e de governo dos países lusófonos.

A Guiné Equatorial é muito criticada pelas organizações não-governamentais internacionais por ignorar os direitos humanos e pelos altos níveis de corrupção no país, liderado pelo presidente Teodoro Obiang desde 1979.

Integram agora a CPLP Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.