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Dilma Rousseff propõe aliança para combater pobreza

Dilma Rousseff propõe aliança para combater pobreza

A presidente brasileira, Dilma Rousseff, propôs, esta terça-feira, ao Papa Francisco, no Rio de Janeiro, uma aliança para combater as desigualdades e para difundir iniciativas contra a probeza, que já tiveram resultados positivos no Brasil.

"Um homem que vem do povo latino-americano, da vizinha Argentina, reúne mais condições para criar uma aliança (entre o governo brasileiro e a igreja católica) de combate à pobreza e de difusão de boas experiências", afirmou Rousseff, no discurso na cerimónia de receção do Papa.

Francisco iniciou uma visita de uma semana ao Brasil para participar nas 28.ª Jornadas Mundiais da Juventude (JMJ).

Rousseff afirmou que pretende aproveitar a visita de Francisco para renovar o diálogo entre o Governo brasileiro e a Igreja católica sobre justiça social, solidariedade, direitos humanos e paz entre as nações, princípios partilhados pelas duas partes.

"Sabemos que estamos perante um líder religioso sensível e atento às preocupações dos nossos povos de justiça social e oportunidades para todos. Lutamos contra um inimigo comum: as desigualdades em todas as suas formas", sublinhou.

A presidente referiu-se ainda aos cerca de 40 milhões de brasileiros que, de acordo com as estatísticas oficiais, deixaram de viver no limiar da pobreza, na última década, e disse que o Brasil está muito orgulhoso de ter alcançado uma meta tão importante.

Parte deste êxito, deve-se aos programas de transferência de rendimentos para os mais pobres e a outros programas sociais adotados pelo Governo nos últimos anos, acrescentou.

"Fizemos muito e sabemos que ainda há muito por fazer, e nesse processo contámos com a associação importante da igreja", disse.

Rousseff garantiu que as diferentes pastorais do episcopado brasileiro foram estratégicas nas ações para melhorar as condições de vida das populações menos favorecidas, incluindo agricultores sem terra, pessoas que vivem na rua, reclusos e desempregados.

O Brasil está a difundir estes programas de combate à pobreza em outros países da América Latina e em África e na Ásia, disse.

"Acreditamos que o apoio da igreja a estes processos pode transformar estas iniciativas locais bem sucedidas em iniciativas globais", sublinhou, referindo-se à aliança proposta ao Vaticano.

A chefe de Estado brasileira afirmou que, como o Papa, considera que as estratégias de superação da atual crise não podem limitar-se a medidas de austeridade e precisam de ter em conta os problemas sociais dos mais pobres e dos jovens, as principais vítimas da crise.

Esta foi a mensagem das manifestações por melhores serviços públicos que, em junho, sacudiram todo o país e chegaram a mobilizar, em alguns dias, mais de um milhão de pessoas numa centena de cidades, disse.

"Os jovens exigem nas ruas mais direitos sociais, mais educação, qualidade de vida (...). Os jovens exigem respeito, ética e transparência. Querem que a política responda aos seus interesses e não seja território de privilégios. Os jovens estão cansados da violência que os torna nas principais vítimas e querem combater todas as formas de discriminação", declarou Dilma Rousseff.

Neste sentido, a presidente brasileira elogiou as iniciativas das JMJ por "um mundo melhor", de acordo com a agência noticiosa espanhola EFE.