Sociedade

Dimuição dos candidatos ao Superior deve-se à crise

Dimuição dos candidatos ao Superior deve-se à crise

Os estudantes do ensino superior apontam a crise económica que se reflecte na maioria das famílias e a falta de um sistema eficaz de apoios sociais como causas da diminuição dos candidatos às universidades e politécnicos verificada este ano.

O presidente da Associação Académica de Coimbra (AAC), Eduardo Melo, destaca os enormes custos da frequência do ensino superior em Portugal, principalmente com as despesas associadas, visto que a maior parte dos estudantes acaba por ser deslocada da família.

"Não tendo nós acesso a um sistema que garanta as condições de acesso independentemente da condição socioeconómica, obviamente que isto começa a reflectir-se, como aconteceu já no ano passado, quando o número de alunos bolseiros diminuiu", disse.

Para Eduardo Melo, esta situação continuará "certamente enquanto não existir um sistema de acção social que consiga responder às necessidades do país e enquanto Portugal tiver um sistema de Ensino Superior que é dos mais caros da Europa".

"Os custos são realmente elevados e as famílias nesta altura de contenção têm grandes dificuldades em suportar estes custos. Parece-me que este tipo de situações, em tempo de crise, leva a uma diminuição de candidaturas ao Ensino Superior", sublinhou.

Para Tiago Gonçalves, presidente da Associação Académica da Universidade de Lisboa, além da situação económica do país, a questão prende-se também com a acção social, que tem vindo a diminuir porque o Estado tem vindo a desinvestir nessa área, bem como com o "fenómeno preocupante do corte de 8,5 % nas universidades".

"É natural que, como se tem verificado nos últimos anos, as propinas aumentem e a qualidade do ensino piore", afirmou.

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Neste sentido, a crise económica que atinge as famílias, o desinvestimento do Estado nas Universidades e na acção social podem por em causa o ensino superior para todos.

"Porque as universidades não têm capacidade para dar um ensino de qualidade a toda a gente e, para além disso, as famílias cada vez menos têm condições para trazer os seus jovens ao ensino superior, porque não há condições de acção social do Estado para que isto aconteça. E vemos que o corte das bolsas no último ano que foi um dos factores que levou a isso", considerou.

Na primeira fase do concurso de acesso ao ensino superior ficaram colocados 42.243 alunos, o que representa 91% das 46.636 candidaturas válidas.

Embora a percentagem de candidatos colocados na primeira fase tenha aumentado relativamente ao ano passado, quando a taxa foi de 88 %, e a 2009 (86 por cento), verificou-se uma redução do número de candidatos, que este ano foi inferior a 47 mil, quando nos dois últimos anos rondou os 52 mil.

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