Sociedade

31 mil professores ficaram sem colocação

31 mil professores ficaram sem colocação

O ministro da Educação repetiu, por diversas vezes, tudo estar a fazer para que em setembro houvesse "zero" docentes com horario zero. Nuno Crato falhou esse objetivo. Há 1213 professores sem alunos. De fora ficaram 31139 contratados.

O Ministério da Educação divulgou esta quinta-feira os resultados da primeira reserva de recrutamento. Às escolas vão chegar até segunda-feira 5800 professores contratados. Destes, 346 renovaram os contratos em escolas TEIP (Territórios Educativos de Intervenção Prioritária) e com contrato de autonomia, 4575 conseguiram colocação em horários anuais e 879 em temporários. De fora ficaram 31139 contratados.

Dos 8584 horários pedidos pelos diretores, ficaram por preencher 1991 que vão ser devolvidos às escolas para contratação direta. As federações sindicais reclamam novo concurso de afetação aos quadros em 2014. A Associação de Professores Contratados vai apresentar queixa na Comissão Europeia.

Dos 2185 professores de quadro com horário zero em agosto, 793 conseguiram agora colocação (330 em horários temporários, garante a Fenprof) e 179 foram retirados da plataforma por lhes ter sido atribuída componente letiva ou outras funções nas escolas. O que significa que, neste momento, não há zero, como Nuno Crato pretendia, mas 1213 docentes que continuarão à espera de colocação nas reservas de recrutamento até 31 de dezembro. "Se não o conseguirem, podem ser estes os primeiros a entrar em mobilidade especial no próximo ano" letivo, frisa Mário Nogueira.

Os horários zero eram a prioridade neste concurso. Por isso, neste ano não foram contratados docentes no concurso anual em agosto. Durante o ano letivo que cessou, Nuno Crato anunciou diversas medidas para em setembro não haver nenhum sem componente letiva. Caso da redução dos Quadros de Zona Pedagógica através do seu alargamento geográfico, das aposentações pedidas por seis mil docentes que foram retiradas dos horários das escolas, a consideração de atividades como apoios e coadjuvações como letivas, a transferência para outros ministérios ou a lecionação de cursos do IEFP.

Há um ano, após a contratação inicial e primeira reserva de recrutamento, havia nas escolas 8903 professores contratados. Em 2011, só no concurso a 30 de agosto, foram contratados mais de 12 mil. Nogueira insiste que as colocações, ontem divulgadas, provam a "instabilidade e desemprego" promovidos pelo Ministério. Tanto a Fenprof como a FNE reclamam novo concurso de afetação em 2014. "São docentes que fazem falta ao sistema", garante Lucinda Dâmaso, sublinhando que a redução só é conseguida graças a medidas como o aumento do número de alunos por turma e à junção de vários níveis na mesma turma no 1.oº ciclo.

Já César Israel Paulo considera as contratações residuais e alerta que no desemprego ficaram milhares de docentes, alguns com mais de 20 anos de serviço. Para Bruxelas segue uma queixa da Associação Nacional dos Professores Contratados. v

Mais de 31 mil de fora

Dos 36 939 candidatos à contratação inicial, 5800 conseguiram colocação (15,7%). Ou seja, 31 139 foram excluídos. Alguns milhares, garantem federações e associações, com mais de dez anos de serviço ficaram no desemprego.

Horários preenchidos

Dos 8584 lugares pedidos pelos diretores, ficaram 1991 por preencher que serão devolvidos às escolas para serem ocupados por contratação direta.

Menos 3100 docentes

No ano passado, após o concurso anual e primeira reserva de recrutamento, havia nas escolas 8903 professores contratados. Neste ano, serão 5800, colocados já durante o arranque do ano letivo. Ou seja, menos 3100 docentes.

Horários anuais no Especial

O grupo de recrutamento da Educação Especial é o que tem maior número de contratações em horários anuais (810).