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Avaliação dos alunos demasiado concentrada nas "notas"

Avaliação dos alunos demasiado concentrada nas "notas"

A avaliação dos alunos está demasiado concentrada nas "notas" atribuídas, diz um relatório da OCDE, que defende a necessidade de mudar esta situação através da formação dos professores e do reforço da liderança pedagógica nas escolas.

O coordenador do relatório sobre políticas de avaliação no ensino em Portugal e analista Principal na Direcção da Educação da OCDE- Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, Paulo Santiago, disse à Lusa que "a avaliação em educação em Portugal está demasiado concentrada na rendição de contas, mais do que na sua componente formativa e de melhoria".

Para Paulo Santiago, a "medição" deve ser utilizada no dia a dia, para ser parte da aprendizagem, ou seja, deve ser realçada a parte formativa da avaliação, aspeto em que "não se coloca enfase suficiente", acrescenta.

O especialista reconhece ser uma opção "difícil de desenvolver, porque tem a ver com a cultura docente" do país.

Para o responsável da OCDE, a avaliação é tida "mais como um elemento de controlo e eventualmente de punição, e não tanto como um elemento de melhoria".

"Ainda existe um ensino muito tradicional em Portugal e há que mudar o que implica muita formação. A formação para os novos professores deve ser adaptada de maneira a ter uma visão diferente da avaliação", defendeu.

Enquanto a avaliação dos alunos está "demasiado concentrada na nota, no exame, e mesmo a aprendizagem nas aulas concentra-se na prática para o exame", a avaliação dos professores está "muito mais focada no aspeto de progressão na carreira do que propriamente na parte de envolvimento profissional e melhoria da prática docente", afirmou o coordenador do trabalho.

Outro exemplo apontado é o facto de as notas dos exames, sendo publicadas a nível de escola, "terem implicações" para os próprios estabelecimentos que "procuram alinhar o seu comportamento àquilo que é medido pelos exames".

Esta situação "pode ter alguns efeitos indesejáveis em termos de práticas pedagógicas e, ao mesmo tempo, os resultados não são contextualizados", face ao ambiente socio-económico dos estabelecimentos de ensino, acrescentou.

Por outro lado, "há uma grande falta de liderança pedagógica e os diretores ainda não têm uma liderança pedogógica muito forte", nem autonomia para a exercer.

Paulo Santiago referiu-se ainda à inexistência de "ambiente de porta aberta", relacionado com a observação de aulas para avaliação dos professores.

"Leva tempo, são políticas que levam anos até ter resultados", salientou.

Questionado acerca das consequências da crise económica nesta área, o responsável disse que "há menos recursos para investir no desenvolvimento profissional dos professores, mas também pode ser uma oportunidade" para apostar na parte formativa destes profissionais.

Apesar do recente progresso, as qualificações dos portugueses mantêm-se baixas em relação à média da OCDE e, segundo os últimos dados disponíveis, de 2009, apenas 30 por cento, entre os 25 e os 64 anos, tinham terminado os estudos secundários, quando a média nos países da OCDE é de 73 por cento.

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