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Docentes ainda desconhecem manuais do novo programa de Matemática

Docentes ainda desconhecem manuais do novo programa de Matemática

Muitos docentes ainda não conhecem os manuais escolares que irão usar, porque foram alterados para cumprir o Novo Programa de Matemática do Ensino Básico, que entra agora em vigor, alerta a presidente da Associação de Professores de Matemática.

Os alunos do 1.º, 3.º, 5.º e 7.º anos serão os primeiros a experimentar o novo programa de matemática. A poucos dias do arranque de mais um ano letivo, "a maioria dos professores está perdida", porque ainda não recebeu os livros necessários para dar as aulas, alertou Lurdes Figueiral.

"Nas escolas, a situação é o improviso total. Os professores chegam às escolas e não conhecem os novos manuais que, aliás, não escolheram", disse a presidente da Associação de Professores de Matemática (APM) em declarações à agência Lusa, afirmando que os livros para os 5.º e 7.º anos ainda não chegaram aos docentes.

A professora considera mesmo que "os manuais foram impostos", uma vez que as escolhas feitas pelos docentes sofreram entretanto alterações. Além disso, os livros vão "chegar mais caros para os alunos e para os pais".

O Ministério da Educação e Ciência (MEC) garantiu no passado ano letivo que não seriam necessários novos livros. Lurdes Figueiral diz que apenas os alunos que consigam arranjar livros em segunda mão estarão a salvo de gastar ainda mais dinheiro: "As novas versões que agora foram postas à venda são mais caras do que as do ano anterior".

A APM critica ainda o facto de o MEC ter decidido dar uma "pseudo-formação a alguns professores" que ficam depois encarregues de transmitir esses conhecimentos aos colegas das suas escolas.

"Os professores estão agora a começar a ter formação. Uma formação verticalizada: Um elemento de cada escola tem aulas para este novo programa e depois replicará na sua escola. Este é um modelo formativo absurdo", criticou, revelando que alguns dos docentes chamados para a formação em setembro já não estão este ano colocados nessas mesmas escolas.

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Numa resposta enviada à Lusa, o gabinete de comunicação do Ministério da Educação e Ciência explicou que "a formação de professores de matemática foi iniciada em julho e continua agora durante o mês de setembro sendo concretizada e concluída ao longo do 1.º período, com concentração nas duas primeiras semanas de setembro.

Para a APM, a aplicação deste novo programa será "catastrófica". Assim que o MEC anunciou um novo Programa de Matemática do Ensino Básico (PMEB), professores e associações que representam os matemáticos criticaram a opção, lembrando que o programa existente estava em vigor apenas desde 2007.

Para os professores de Matemática, o MEC deveria ter optado por avaliar e melhorar o existente, que só no ano passado começou a ser dado aos alunos do 9.º ano. No entanto, em declarações à agência Lusa, um dos autores do PMEB, o professor Carlos Grosso, recusou na altura a ideia de se tratar de um "novo" programa, uma vez que "em termos de conteúdo é muito semelhante ao que existia".

Sobre a queixa apresentada pela APM ao Provedor de Justiça, Lurdes Figueiral lembrou que o provedor considerou que a matéria não era do seu âmbito e que apenas poderia opinar sobre os manuais escolares.

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