Sociedade

Exames começam apenas para alguns alunos

Exames começam apenas para alguns alunos

As primeiras informações ao início da manhã desta segunda-feira indicam que os exames nacionais do Secundário apenas se vão realizar para uma parte dos alunos. De todo o país as informações são semelhantes: só alguns alunos fizeram o exame. A Fenprof aponta para uma adesão à greve de 90% e generalizam-se os protestos dos alunos contestando a situação de desigualdade que foi criada.

O secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, disse esta segunda-feira que a adesão à greve de professores deve rondar os 90% e que há escolas em todo o país onde os alunos não estão a realizar os exames.

Pouco antes da hora marcada - 9.30 horas - para o início do exame nacional de Português do 12.º ano, Mário Nogueira apresentou alguns dados de escolas onde, esta segunda-feira de manhã, muitos alunos não vão realizar a prova, considerando que a percentagem de adesão à greve "deve andar à volta dos 90%".

O sindicalista exemplificou com os casos das escolas de "Aljustrel, Alpiarça e Olhão, no agrupamento de Seia, onde não há exame nenhum, e a Escola Secundária da Quinta das Flores, Coimbra, onde, das 14 salas, em apenas três se realizaram os exames". Nesta secundária, só seis dos 107 professores compareceram. Estão a fazer exame 45 alunos em 3 das 15 salas previstas. Toda a direção está em greve.

Os 90% de adesão à greve previstos por Mário Nogueira não significam que 90% dos alunos não tenham realizado os exames, uma vez que foram convocados outros professores (que não estavam destacados para vigiar os exames) e encontradas soluções alternativas pelas escolas.

O secretário-geral da Fenprof classificou como "uma vergonha" a solução escolhida na Escola Secundária de Cinfães (em Viseu) onde houve alunos que realizaram as provas em cantinas, ou o caso "caricato" de uma outra escola, "onde foram convocados 300 professores para apenas um aluno realizar o exame".

Mário Nogueira sublinhou que a responsabilidade desta situação, que faz com que alguns alunos realizem o exame e outros não, é do Ministério da Educação, "que não quis acautelar a equidade".

A guerra e troca de acusações entre ministério e sindicatos sobre a possibilidade de adiar o exame para outro dia continua esta segunda-feira, dia em que a Fenprof "entregou de manhã um ofício ao ministério a exigir gravações do processo negocial".

Em declarações aos jornalistas, João Jaime, diretor do Liceu Camões, em Lisboa, revelou que apenas cinco das 28 salas onde esta segunda-feira deveria realizar-se o primeiro exame nacional, de Português, vão estar a funcionar.

O professor referiu que "dos cerca de 130 professores só vieram 14".

No antigo Liceu Sá de Miranda, em Braga, os alunos romperam a segurança da portaria e invadiram a escola e as salas onde se realizam os exames. Além dos cerca de 150 professores afetos à escola, foram convocados os docentes do agrupamento, das escolas de Palmeira, Dume e Real. Mesmo assim, os exames não se realizaram na totalidade. A seleção foi feita por ordem alfabética, até à letra H.

Na Secundária Infanta Dona Maria, em Coimbra, o diretor, Ernesto Paiva, confirma que se estão a realizar exames nas 13 salas previstas. Uma dessas salas é assegurada por membros da Direção. Tinham sido convocados 88 professores.

Em Vila Real, na Secundária de S. Pedro, também não se realizaram os exames. Aliás, das três escolas secundárias de Vila Real apenas numa foi possível realizar os exames.

Na Escola Secundária de Santa Maria Maior, em Viana do Castelo, nenhum dos 251 alunos inscritos para o exame de Português realizou a prova.

Pouco antes das 9 horas, a direção do estabelecimento afixou, à entrada da escola, um aviso onde dava conta que o exame previsto não teria lugar, "por não estarem reunidas as condições mínimas exigíveis". Motivo: à hora marcada para a realização dos exames, estavam apenas dois professores presentes. E, destes, um leciona a disciplina, pelo que não podia vigiar o exame.

Na Secundária Alves Martins, em Viseu, a não realização do exame por grande parte dos alunos motivou protestos por parte de cerca de 200 alunos que deixaram a escola indignados.

O exame começava às 9.30 hortas e cerca de 15 minutos depois tiveram de abandonar as salas por falta de professores.

Assobios e palavras de protesto ouviram-se no recinto da Secundária.

De acordo com o diretor da escola, Adelino Azevedo Pinto, " em 32 salas, 11 ficaram sem professores, o que corresponde a mais de 200 alunos sem exame", explicou ao JN.

A época oficial de exames de Ensino Secundário começa esta segunda-feira com o exame de Português, para o qual estão inscritos 74.407 alunos, realizando-se também provas de Latim (108 inscritos) e de Português Língua Não Materna (para imigrantes), com 136 alunos.