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Fenprof acusa Ministério da Educação de encerrar negociações sem ouvir docentes

Fenprof acusa Ministério da Educação de encerrar negociações sem ouvir docentes

A Federação Nacional de Professores acusou esta segunda-feira o Ministério da Educação de ter encerrado as negociações sobre a prova de acesso à carreira sem ouvir os docentes e avança com novas ações de luta em setembro.

"Discordamos em absoluto com aquilo que foi apresentado sobre a realização da prova de acesso à carreira e à sua regulamentação", disse à agência Lusa João Louceiro, dirigente da Fenprof, sublinhando que o Ministério da Educação e Ciência (MEC) deu esta segunda-feira por terminadas as negociações.

A Fenprof foi uma das estruturas sindicais que esta segunda-feira esteve reunida no MEC para mais uma ronda negocial sobre a prova de acesso à carreira, criticada pelos docentes, sobretudo os que têm vínculo mais precário.

No final da reunião, João Louceiro acusou o MEC de ter "apresentado um calendário relâmpago" para discutir uma matéria "tão delicada" numa altura em que a maioria dos professores está de férias.

A Fenprof propôs ao MEC que as negociações fossem retomadas em setembro para que os docentes fossem ouvidos, mas o ministério não aceitou e resolveu "em duas reuniões dar como terminada a discussão de uma matéria que pode liquidar dezenas de milhares de professores".

"O MEC não aceitou que as negociações fossem retomadas em setembro, porque não quer fazê-las numa altura em que se possa auscultar os professores", disse, sustentando que "não se compreende a pressa" do Ministério.

João Louceiro adiantou que o MEC terminou as negociações, porque pretendia que a Fenprof fizesse "uma declaração de aceitação" da prova de acesso à carreira.

Nesse sentido, o sindicalista adiantou que a estrutura sindical vai agora analisar se requer ou não a negociação suplementar.

Porém, avançou que em setembro "a luta dos professores vai regressar em força às ruas e escolas".

A Federação Nacional da Educação (FNE) também hoje tem uma reunião no MEC.

A proposta do Governo prevê que os professores não integrados na carreira docente terão de obter 14 valores em provas de avaliação para poderem lecionar.

Por seu lado, o Governo, no final da primeira ronda negocial dedicada ao tema, que decorreu na passada semana, já disse, pela voz do secretário de Estado do Ensino Básico e Secundário, João Grancho, que está convencido de que os professores têm condições para ficarem aprovados na prova de acesso à carreira docente, contestada pelos sindicatos do setor.