Avaliação de professores

FNE diz que guião confirma "inutilidade" da prova para professores

FNE diz que guião confirma "inutilidade" da prova para professores

O secretário-geral da Federação Nacional da Educação, João Dias da Silva, disse, esta sexta-feira, que o guia da prova para os professores contratados confirma a "inutilidade" do teste e "desconsidera" o trabalho realizado pelos docentes.

"A estrutura da prova confirma aquilo que é a nossa impressão de que não serve rigorosamente para nada, que é uma inutilidade, um desperdício de recursos e de energia para que não se prove rigorosamente nada", disse João Dias da Silva à agência Lusa.

Segundo o guia, divulgado quinta-feira pelo Ministério da Educação, a Prova de Avaliação de Conhecimentos e Capacidades será composta por 32 itens de escolha múltipla e um "item de construção", no qual é pedido aos docentes que escrevam um texto segundo o Acordo Ortográfico com um número de palavras compreendido entre 250 e 350.

As perguntas de escolha múltipla vão valer 80% da prova, enquanto o "item de construção" corresponderá a 20% do total.

Os professores que na construção do texto previsto na prova tenham mais de dez erros de ortografia, de pontuação ou de morfologia serão classificados com zero valores nesse item.

Os erros de acentuação e de translineação, assim como o uso indevido de letra minúscula ou de letra maiúscula inicial também são considerados erros de ortografia.

Para João Dias da Silva a limitação da expressão escrita "é muito discutível" e as opções "em relação as respostas de escolha múltipla é um jogo que não se adequa ao que deve ser a avaliação das capacidades e dos conhecimentos" dos professores.

O secretário-geral da Federação Nacional da Educação (FNE) considera ainda que o guião vem confirmar "a desconsideração" que a prova representa para professores com formação superior e um diploma que atesta os seus conhecimentos e capacidades.

"Agora o ministério está a submetê-los a uma prova que não prova rigorosamente nada", disse, acrescentando que para as pessoas que "já estiveram a trabalhar no sistema educativo esta é uma prova que desconsidera o trabalho realizado".

Por isso, João Dias da Silva sustenta que, sejam quais forem os resultados, "numa prova desta natureza não ficará provado que as pessoas têm competência, conhecimentos e capacidades para serem professores".

"Essa avaliação foi feita pelas instituições do ensino superior. Esta prova não acrescenta rigorosamente nada", sublinhou.

A prova destinada aos docentes sem vínculo à função pública está marcada para o dia 18 de dezembro.