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Antigos alunos da Universidade Algarve " revoltados" com exclusão no concurso de docentes

Antigos alunos da Universidade Algarve " revoltados" com exclusão no concurso de docentes

Várias dezenas de antigos alunos da Universidade do Algarve manifestaram, esta quinta-feira, a sua "angústia e revolta" por terem sido excluídos do concurso para a colocação de professores por, segundo o Ministério da Educação, não terem habilitações para lecionar.

Em causa estão ex-alunos das licenciaturas de Línguas e Literaturas Modernas da Universidade do Algarve (UAlg), que tiveram de fazer mais dois anos de uma pós-graduação em Ensino para poderem dar aulas, mas na sexta-feira viram os seus nomes excluídos da lista de professores colocados com uma alínea que dizia os candidatos não tinham habilitações.

A Universidade diz que criou o curso e a pós graduação "em articulação com o Ministério" e "respeitando os requisitos legais à altura da criação do curso" e, depois de ter sido questionada sobre o assunto em 2011, abriu um processo de averiguações que seguiu para o Ministério e até ao momento ainda não obteve resposta da tutela.

"Estamos surpresos e angustiados, porque as nossas candidaturas foram aceites em anos anteriores e agora o ministério diz que não temos habilitações. Andámos a gastar dinheiro numa licenciatura e depois numa pós-graduação que afinal parece não servir de nada", criticou Elisa Rodrigues, uma das professoras que ficaram excluídas do concurso e já lecionou em anos letivos anteriores.

A antiga aluna da UAlg explicou que, inicialmente, a licenciatura daria habilitações para dar aulas, mas a meio do curso uma remodelação alterou a situação e levou os estudantes a terem de frequentar uma pós-graduação em Ensino para poderem ser professores.

"A pós-graduação funcionou entre 2002 e 2006, o primeiro ano era composto por cadeiras de pedagogia e o segundo por um estágio numa escola, que fizemos com colocação e contratos feitos pela Direção Regional de Educação do Algarve", acrescentou.

Questionada a Universidade, o pró-reitor para os Assuntos Académicos, Célio Conceição, disse à Lusa que "a UAlg cumpriu todos os requisitos legais" para a homologação dos cursos e da pós-graduação e considera que o mesmo "é válido".

"Todos os pareceres que temos vão no sentido de que cumprimos todos os requisitos necessários à altura da criação do curso. Por isso, e até informação em contrário, achamos que estes alunos foram indevidamente afastados do concurso", afirmou, frisando que os antigos alunos da Universidade "realizaram estágios em escolas e avaliaram com conhecimento do ministério".

A mesma fonte precisou que foi aberta uma averiguação e a Universidade pronunciou-se nesse sentido, mas frisou que espera desde maio por uma decisão final do ministério, que ainda não foi conhecida.

Agora, os antigos alunos da UAlg foram excluídos do concurso e ficaram sem colocação, deixando a suas "vidas em suspenso", segundo Elisa Rodrigues.

A Lusa tentou obter uma reação do Ministério da Educação ao problema levantado por estes antigos alunos da UAlg, mas até ao momento ainda não obteve resposta.

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