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Calendário escolar com mais férias no natal e poucas aulas no 3º período

Calendário escolar com mais férias no natal e poucas aulas no 3º período

Os professores criticam a proposta de horário escolar do Ministério da Educação por não dar autonomia às escolas e definir os períodos segundo o calendário religioso, o que, defendem, vai criar "desequilíbrios" no próximo ano letivo, como um 3º período de apenas seis semanas.

De acordo com a proposta do Ministério da Educação e Ciência (MEC) enviada aos sindicados de professores, no próximo ano letivo, as aulas deverão começar na segunda semana de setembro e terminar a 13 de dezembro. Depois, recomeçam a 6 de janeiro, fazendo com que as férias de Natal sejam de três semanas em vez das tradicionais duas.

O 2º período termina no início de abril, ou seja, estão previstos um pouco mais de três meses de aulas.

Já o 3º período será muito curto, com apenas seis semanas de aulas, uma vez que a Pascoa no próximo ano será em meados de abril.

"Nós temos um horário escolar que se define de acordo com o calendário religioso. O primeiro período é até ao natal e depois é até à Pascoa. Por vezes, esta forma cria períodos muito desajustados, com uns muito longos e outros muito curtos, que é o que acontece no próximo ano letivo", alertou o secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira.

"Deveria ser reconhecida às escolas autonomia para que pudessem, numa situação de um tempo de aulas muito extenso, poder ter uma pausa a meio do período. A escola continuaria aberta, mas era feita uma pausa", defendeu Mário Nogueira.

Também a Federação Nacional de Educação (FNE) voltou a defender a autonomia das escolas nesta matéria: "Entendemos que as escolas deviam ter uma margem de manobra para poder definir o início e termo dos períodos", disse à Lusa Lucinda Dâmaso.

A FNE alertou ainda para o facto de a correção dos testes e análise de recurso estarem no próximo ano marcados para agosto, o que "poderá impedir que alguns professores possam gozar o seu período de férias".

Já Mário Nogueira lamentou que o Ministério da Educação "continue a fazer os mesmos erros de sempre no que toca à educação pré-escolar", cujo calendário é muito semelhante ao dos alunos do ensino básico.

"O MEC continua a cometer o mesmo erro que é confundir a parte educativa com a resposta social. Aceitamos que as crianças não possam ir de férias, porque os pais estão a trabalhar, e por isso é preciso dar apoio à família, mas isso não é atividade letiva", criticou.

O fim das aulas deverá acontecer a 6 de junho para os alunos que fazem exames no próximo ano (6.º, 9.º, 11.º e 12.º). Para os restantes estudantes, as aulas terminam uma semana depois, a 13 de junho.

Os alunos do 4.º e 6.º ano que chumbem nos exames da primeira fase, em maio, poderão ter um prolongamento de aulas até 4 de julho para se prepararem para a 2.ª fase, que se realizará a 9 e 16 deste mês, segundo as datas expressas no documento do MEC.

No 3.º ciclo e secundário, os exames realizar-se-ão ente 17 e 26 de junho de 2014 e as pautas serão afixadas, respetivamente, a 14 e 11 de julho.

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