Universidade do Porto

Candidatos em fuga da Engenharia Civil

Candidatos em fuga da Engenharia Civil

A Engenharia Civil continua a garantir emprego em Portugal e no estrangeiro. A garantia é de Paulo Pereira, docente na Universidade do Minho e ex--presidente da Escola de Engenharia.

"Para além da construção de edifícios novos, em crise, há áreas como a recuperação e a construção de infraestruturas, desde o sistema de esgotos, ao abastecimento de água, onde haverá sempre trabalho", acrescenta. Argumentos que não estão, no entanto, a convencer os estudantes que querem entrar no Ensino Superior.

Na Universidade do Minho, das 50 vagas existentes este ano letivo, apenas cinco foram ocupadas na primeira fase. O panorama é igualmente desastroso no resto do país. Se se considerar a totalidade de universidades e institutos politécnicos, o número de alunos colocados em Engenharia Civil atingiu o nível mais baixo de sempre: no caso das universidade, das 625 vagas existentes, apenas 151 foram preenchidas nesta primeira fase. No caso dos politécnicos, das 466 vagas disponíveis, apenas sete foram ocupadas.

"É necessário estancar a redução de alunos e formar novos engenheiros porque, daqui a dois, três anos, não haverá engenheiros civis disponíveis no mercado", explica Paulo Pereira. O futuro está na reabilitação, garante o docente, um dos "estrategas" do relançamento do curso junto dos candidatos a um lugar no Ensino Superior.

"O curso de Engenharia Civil é dos poucos que têm saídas profissionais. Não entendo porque é que, em nome da crise no setor da construção, diminuiu o número de alunos", referiu Bruno Oliveira, vice-presidente da Federação Nacional de Estudantes de Engenharia Civil e presidente da Associação de Estudantes de Engenharia Civil da Universidade do Minho.

No geral, o Instituto Superior Técnico de Lisboa foi quem recebeu mais estudantes. Das 150 vagas, 82 foram preenchidas. A Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, também com 150 vagas, apenas recebe 50 alunos. Em Coimbra, das 110 vagas, apenas cinco foram ocupadas. Na Universidade do Algarve, das 30 vagas, entrou apenas um aluno. Em Aveiro (25 vagas) e na UTAD (30 vagas), o concurso ficou deserto. "Os futuros engenheiros não vão emigrar porque são precisos em Portugal.