Protesto

Crianças de aldeia de Peniche ainda não foram à escola

Crianças de aldeia de Peniche ainda não foram à escola

Oito crianças de Casal da Vala, Peniche, estão há oito dias sem ir à escola, um protesto dos pais contra o fecho da escola e a transferência para Lugar da Estrada, onde consideram que têm piores condições.

Junto à escola agora encerrada, concentraram-se, esta quarta-feira, cerca de 25 pessoas, entre pais, crianças e pessoas da aldeia, em manifestação contra a decisão do Ministério da Educação. "Aqui estou mais perto de casa e não quero que a escola feche porque nesta temos melhores condições", disse Júlia Correia, de 7 anos, a iniciar o terceiro ano do primeiro ciclo.

As crianças levantaram cartazes, nos quais se lia "não quero que a escola feche" e "queremos a escola aberta, estamos tristes".

"Discordo porque temos uma escola com boas condições, onde em 2003 a Câmara gastou 250 mil euros na sua melhoria e ampliação e [agora] fecha. Querem que os nossos filhos vão para a escola do Lugar da Estrada que não tem as condições mínimas. Foi construída em 1957, nunca teve grandes obras de fundo e não tem espaço para as crianças almoçarem nem aquecimento", explicou Helena Santos, mãe de um aluno de 7 anos.

Marina Anastácio, mãe de um outro aluno de 8 anos, afirmou que os pais exigem outras alternativas à escola de Lugar da Estrada, que não têm sido dadas.

"Vai ser um problema se os nossos filhos tiverem um mês sem aulas, mas não aceitamos a decisão, porque, no dia em que aceitarmos colocar os nossos filhos em qualquer escola, a nossa luta termina", sublinhou.

Os pais não compreendem a decisão de encerrar Casal da Vala, quando consideram que é a escola com melhores condições e tem apenas três alunos a menos do que Lugar da Estrada, explicou Lurdes Sousa, mãe de um menino de sete anos.

A Câmara de Peniche interpôs uma providência cautelar contra a decisão de encerramento das duas escolas no concelho. No caso de Casal da Vala, o argumento dos pais é partilhado pela autarquia.

Contactado pela Lusa, o vice-presidente da Câmara, Jorge Amador, defendeu ainda que a decisão é também uma "questão económica para reduzir o número de professores", por parte do Ministério da Educação, que afasta a hipótese de desdobrar os horários e transferir as crianças para outra escola do Agrupamento de Atouguia da Baleia.

Na localidade de Casal da Vala, circula um abaixo-assinado com mais de uma centena de assinaturas, por iniciativa dos pais dos alunos.