Concelho Idanha-a-Nova

Encerramento de escola em Idanha-a-Nova considerado "ato de traição" do Governo

Encerramento de escola em Idanha-a-Nova considerado "ato de traição" do Governo

População e autarcas locais consideraram, esta segunda-feira, que o encerramento do complexo escolar de Monsanto, Idanha-a-Nova, é "um ato de traição" por parte do Governo.

"Queremos a nossa escola aberta" e que "façam aos filhos deles o que querem fazer aos nossos" foram algumas das palavras de ordem que ecoaram junto à entrada do complexo escolar de Monsanto (Idanha-a-Nova, distrito de Castelo Branco), durante um protesto agendado para assinalar o arranque do ano letivo.

Em declarações à agência Lusa, Paulo Monteiro, presidente da União de Freguesias de Monsanto e Idanha-a-Velha, disse que o encerramento do complexo escolar "é um ato de traição do Governo".

O autarca explicou que, em conjunto com a Câmara de Idanha-a-Nova, "tinha-se prometido aos pais a recuperação da escola", o que foi feito no ano letivo anterior.

"Conseguimos atrair pessoas que vieram para cá (Monsanto) a contar com o funcionamento da escola. E, durante as férias, viemos a saber que o Governo fecharia a escola", adiantou.

Já o presidente da Câmara de Idanha-a-Nova, Armindo Jacinto, disse à Lusa que vai avançar com uma ação administrativa especial judicial para impugnar a legalidade do ato, ou seja, para travar o despacho do secretário de Estado da Educação que decide o encerramento do Complexo Escolar de Monsanto.

O autarca afirmou que a "escola não vai morrer" e sublinha o "direito a uma escola pública". Mas, "se o Estado não o fizer, a Câmara faz uma escola para os meninos de Monsanto, Idanha-a-Velha e Medelim".

Susana Monteiro, uma das mães presentes na manifestação, disse à Lusa que veio há um ano de Lisboa para Monsanto, onde tem raízes familiares, devido à situação de desemprego do marido e pelas condições que a Câmara de Idanha-a-Nova oferece às crianças ao nível de alimentação, manuais escolares e transporte gratuito.

Susana Monteiro explicou ainda que as condições que são oferecidas pela autarquia permitem uma poupança mensal substancial.

"Se a escola fechar, é mais um problema grave que tenho que enfrentar", disse aquela progenitora, considerando repensar a decisão de viver em Monsanto, caso a medida avance.

O Complexo Escolar de Monsanto tem 29 crianças, distribuídas pelo jardim-de-infância (18) e 1.º ciclo do ensino básico (11).

A Câmara de Idanha-a-Nova avançou com uma providência cautelar contra o encerramento, em julho.

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