Sociedade

Especialista israelita apresentou no Porto programa de combate ao bullying

Especialista israelita apresentou no Porto programa de combate ao bullying

A neuropsicóloga israelita Débora Elijah apresentou, no Porto, o seu livro "Cérebro: A mente cognitiva social na promoção das competências psicossociais em grupos de pares". O livro contém um programa de combate ao bullying e promoção das competências sociais em crianças dos seis e os 11 anos de idade no seio de grupos de amizade. A autora defende que o programa, denominado PROSCIG, deve ser aplicado em escolas.

Na semana em que se assinalou o Dia Mundial do combate ao bullying, a autora lembrou ao JN que "as escolas de todo o mundo devem reforçar o trabalho de prevenção do bullying, que vitima uma em cada três crianças, segundo dados da UNICEF".

Tendo trabalhado com crianças e jovens em vários países do mundo, e falando sete idiomas, a neuropsicóloga acredita que "todas as crianças podem ser membros ativos valiosos na família, na escola e na comunidade", considerando no entanto que "para isso, as crianças que experimentem dificuldades sociais e de comunicação devem ser ajudadas a conseguir realizar o seu potencial".

Atualmente diretora da Clínica Elijah Social Cognitive Skills Centre, em Londres, que promove a intervenção precoce em crianças portadoras de atrasos no desenvolvimento global, autismo e dificuldades sociais de comunicação, Débora Elijah considera que "a baixa autoestima, a falta de confiança, as dificuldades de aprendizagem e os consequentes distúrbios emocionais contribuem em grande medida para o desajustamento social e para o incremento social nocivo do bullying, pelo que é necessário trabalhar nas escolas as competências sociais das crianças, para um bom relacionamento entre pares".

A autora propõe que isso seja realizado no seio de Friendship Groups [Grupos de Amizade] integrados por crianças dos 6 aos 11 anos de idade, sendo umas de baixas habilidades sociocognitivas e outras de altas habilidades.

O programa cognitivo - PROSCIG - foi testado ao longo da vida profissional da autora em países como o Brasil e a Bélgica, onde a mesma dirigiu centros para jovens deficientes e crianças com dificuldades sociais de comunicação, e foi experimentado cientificamente numa escola pública de Londres entre 2008 e 2010.

A apresentação do livro (editado pela Fronteira do Caos), no sábado passado, no Hotel da Música, no Porto, foi feita por Salvato Trigo, reitor da Universidade Fernando Pessoa, e por Maria Clara Oliveira, procuradora da República no Departamento de Investigação e Ação Penal do Ministério Público do Porto.