Universidade de Coimbra

Jogo de computador irá ajudar crianças autistas a treinar competências sociais

Jogo de computador irá ajudar crianças autistas a treinar competências sociais

Um jogo de computador que está a ser desenvolvido por investigadores da Universidade de Coimbra e do Hospital Pediátrico vai ajudar a desenvolver competências sociais às crianças com autismo, uma das suas maiores dificuldades.

"É muito difícil ensinar a estas crianças o comportamento e as regras sociais e o jogo permite-lhes fazer um treino virtual das competências e compreensão das regras, de modo a replicarem-nas na reabilitação", disse à agência Lusa Guiomar Oliveira, que coordena a Unidade de Neurodesenvolvimento e Autismo do Hospital Pediátrico (HPC), envolvida na validação do projecto, em conjunto com a Associação Portuguesa para as Perturbações do Desenvolvimento e Autismo (APPDA).

O projecto, ainda em protótipo, está a ser desenvolvido por uma equipa de investigadores da Universidade de Coimbra (UC) e nos próximos meses começa a ser testado em crianças autistas, explicou o investigador Marco Simões.

Segundo o investigador, os jogos existentes no mercado para as crianças autistas "não dispõem da componente neurofisiológica" e a "novidade está na utilização da realidade virtual como ferramenta de treino de competências sociais no autismo, acompanhada com monitorização neurofisiológica".

A plataforma tecnológica em desenvolvimento engloba não só "um jogo de computador com capacete de realidade virtual ou óculos 3D mas também sensores de EEG (medidor de actividade cerebral), que registam o comportamento da criança durante o jogo e envia informação para um módulo online", depois interpretada pelos clínicos.

"A criança interage com pessoas virtuais para, no futuro, interagir com pessoas reais", explica o investigador, sublinhando que "os pais podem participar mais activamente na educação dos filhos"

O contacto com ambientes virtuais dinâmicos estimula não só o desenvolvimento social das crianças com autismo mas também "auxilia os médicos na avaliação clínica e monitorização da reabilitação".

"Este tipo de solução ajuda no diagnóstico precoce e a monitorizar os défices" das crianças com autismo, disse a médica do HPC.

Tendo em conta que uma das grandes dificuldades da criança autista é a "capacidade de interacção social", o objectivo é que ela possa "no conforto do lar e num ambiente que não lhe é hostil, realizar os exercícios e, remotamente, fornecer informação para o clínico que o acompanha", sublinha, por sua vez, o investigador do Departamento de Engenharia Informática da UC.

O jogo ensina competências sociais como cumprimentar, sorrir, identificar expressões faciais e repeti-las e "a criança, para evoluir no jogo, tem de efectuar vários mecanismos de interacção social, acabando por interiorizá-los e transpô-los para o dia-a-dia".

O estudo está a ser orientado pelos docentes Paulo Carvalho, da Faculdade de Ciências e Tecnologia, e Miguel Castelo Branco, do IBILI - Faculdade de Medicina da UC.

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