Ensino Superior

Ordem preocupada com falta de procura dos cursos de Engenharia no Ensino Superior

Ordem preocupada com falta de procura dos cursos de Engenharia no Ensino Superior

O bastonário da Ordem dos Engenheiros mostrou-se, esta quinta-feira, preocupado com os resultados da segunda fase do concurso de acesso ao ensino superior e vai reunir-se com responsáveis das escolas para fazer um diagnóstico.

Contactado pela agência Lusa, o bastonário Carlos Matias Ramos adiantou que a Ordem inicia hoje a primeira de várias reuniões com responsáveis de cursos de escolas públicas e privadas e politécnicos para fazer um diagnóstico da situação e encontrar propostas concretas.

"Só depois das reuniões, a Ordem pretende fornecer propostas concretas ao ministério da Educação para tentar reduzir a gravidade da situação", disse.

Um total de 78 cursos, maioritariamente na área da engenharia, distribuídos por 24 instituições públicas de ensino superior, não teve qualquer aluno colocado na segunda fase do concurso de acesso, de acordo com dados divulgados hoje.

A engenharia já tinha sido na primeira fase do concurso nacional uma das áreas menos procuradas pelos candidatos a universitários.

Na opinião do bastonário, esta situação deve-se sobretudo à oferta exagerada do número de cursos e vagas nas escolas do país face às necessidades do país.

"Consideramos também que o país tem estado a descurar um aspeto fundamental que é a capacidade para se criar nos alunos do secundário o gosto pelas ciências de base como a Matemática e a Física", salientou.

O bastonário entende também que por causa da crise foi passada a mensagem de que "ir para engenharia é sinónimo de desemprego".

"Nos últimos tempos tem sido passada a mensagem de que está tudo feito, de que houve um desvario nas infraestruturas, que o investimento em obras públicas vai ser zero e tudo isto cria na sociedade a ideia de que a engenharia não tem futuro neste país", sustentou.

Carlos Matias Ramos considerou também que não se pode generalizar o problema a todos os cursos de engenharia.

"A engenharia civil foi a mais afetada com a crise, mas existe toda uma panóplia de áreas. O problema da empregabilidade não justifica tudo. Temos os cursos de direito e comunicação social, por exemplo, completamente cheios e a empregabilidade destes também é baixa", contou.

O bastonário lembrou que o Instituto Superior Técnico tem uma empregabilidade de 85 por cento.

De acordo com os números divulgados hoje pela Direção-Geral do Ensino Superior (DGES), em 1087 cursos superiores, distribuídos por universidades e politécnicos, há 17 cursos cuja média mais baixa de entrada ficou abaixo dos 10 valores, mas acima dos 9,5 valores.

Os mesmos dados indicam que nesta fase de colocações 55 cursos registaram trinta ou mais alunos colocados, sendo que o curso de direito na Universidade de Lisboa em regime pós-laboral contou com 86 candidatos colocados, o que mais alunos colocou nesta fase.

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