Sociedade

Pais franceses boicotam trabalhos de casa

Pais franceses boicotam trabalhos de casa

Um grupo de pais e professores franceses apelaram a um boicote de duas semanas aos trabalhos de casa. Para a principal associação de pais francesa, os trabalhos de casa são "inúteis" e "cansativos" e empurram a responsabilidade de ensinar para os pais.

As crianças aproveitariam melhor o tempo que passam em casa a ler, por exemplo, em vez de estarem a resolver exercícios "cansativos" e "inúteis", afirma um grupo de pais e professores franceses da Fédération des Conseils de Parents d'Elèves(FCPE).

"Se a criança não conseguiu fazer o exercício na escola, não sei como vai fazê-lo em casa", disse Jean-Jacques Hazan, presidente da FCPE. Para a associação, com os trabalhos de casa, as escolas estão a "pedir aos pais que façam o trabalho que deveria ser feito nas aulas".

Os trabalhos de casa foram banidos das escolas primárias francesas em 1956. No entanto, muitos professores ignoram a lei e mandam exercícios para as crianças fazerem em casa. Os alunos mais velhos chegam a ficar uma hora em casa a fazer exercícios, depois das aulas. Aos fins-de-semana e à quarta-feira, dia em que a maiora das escolas fecha, o volume de trabalho é ainda maior.

Catherine Chabrun, presidente da organização de professores Institut Coopératif de l'Ecole Moderne (ICEM), acredita que os trabalhos de casa aumentam as desigualdades entre as crianças. "Nem todas as famílias têm tempo ou conhecimentos suficientes para ajudar os seus filhos", afirma.

O grupo de pais e professores diz não estar a protestar contra os deveres, mas contra o facto de as crianças terem de os fazer em casa e não durante o dia de aulas. "Os professores não percebem a pressão inacreditável que põem sobre as crianças", disse Jean-Jacques Hazan.

Esta questão polémica tem sido alvo de intenso debate em França desde 1912. Os ativistas anti-trabalhos de casa têm poucas hipóteses de os banir definitivamente, mas o seu blog, que conja já com 22 mil visitas em apenas duas semanas, promete trazer a controvérsia de volta à agenda política.

Um comunicado da FCPE afirma que "ou os alunos compreendem a lição e conseguem fazer os exercícios na sala de aula - o que em casa se transforma num desperdício de tempo, que podiam aproveitar a ler, por exemplo - ou se não entenderem não vai ser em casa, na ausência de um professor, que o vão fazer melhor".

Nem todos os pais, porém, concordam com o protesto. Myriam Menez, secretária geral da Federation des Parents d'Eleves de l'Enseignt Public (PEEP), outra associação de pais francesa, disse ao jornal Le Parisien que os trabalhos de casa na escola primária preparam os alunos para o Ensino Secundário. "Claro que tem que ser razoável, mas rever as aulas é a melhor forma de aprender", afirmou.