Ensino público

Professores de Português alertam para programa extenso e "pouco profícuo"

Professores de Português alertam para programa extenso e "pouco profícuo"

A Associação de Professores de Português criticou, esta terça-feira, o facto de não ter sido ouvida pelo Governo nos novos programas da disciplina que entraram em consulta pública, considerando-os "demasiado extensos" e "pouco profícuos" para os alunos.

"Devíamos ter sido contactados para dar um primeiro parecer, para sugerir alterações caso o quiséssemos fazer a nível dos novos programas. Fomos confrontados pelas sete da tarde [de segunda-feira], como vem sendo hábito, com as coisas mais complexas que acontecem sempre ao lusco-fusco", frisou à Lusa a presidente da associação, Edviges Ferreira.

A responsável da Associação de Professores de Português (APP) adiantou que irá agora elaborar um parecer, depois de ouvidas as sugestões dos colegas, enviando posteriormente ao Ministério da Educação as alterações sugeridas, advertindo que "o mais certo" será "caírem em saco roto" como aconteceu em ocasiões anteriores.

Segundo Edviges Ferreira, os autores da proposta para o novo programa do Ensino Secundário são os mesmos que fizeram o recente programa do Ensino Básico, pelo que teme que as sugestões da APP não vão contar para o Ministério da Educação e Ciência.

A responsável reconheceu que fez apenas breve leitura da proposta, já que se trata de um documento de 60 páginas, que não pode ser "analisado numa hora ou de um dia para o outro", demorando-se apenas na parte dos autores de língua portuguesa que entraram para o programa.

"Fiz uma leitura em perfeita diagonal, e só me centrei um bocadinho mais a nível do 'corpus' literário. Senti que tinha voltado à época em que havia um programa de português A e um B. O A com uma literatura para os alunos que seguiam Humanidades e o B virado para os alunos que seguiam Economia, Medicina e cursos técnicos", explicou.

Edviges Ferreira considerou que o programa de Português que se encontra em consulta pública desde segunda-feira "retrocede há 20 anos atrás", pois trata-se de um programa com um "'corpus' literário extremamente profundo", advertindo que "não será profícuo" para os alunos.

"Nós não somos executores, somos professores. Neste momento, ao olhar para o programa, sinto-me uma executora que tem à frente um 'corpus' que tem de cumprir porque tem metas a atingir e não pode fugir dali", desabafou.

O ministério da Educação e Ciência colocou as propostas de novos programas de Português, Matemática e Física e Química A do ensino secundário em consulta pública na segunda-feira com o objetivo de contribuir "para a coerência de todo o percurso escolar dos alunos", anunciou em comunicado.

O período para a consulta pública das propostas de reforma dos currículos das quatro disciplinas do ensino secundário - cuja apresentação está disponível no site da Direção Geral de Educação - termina no dia 4 de dezembro.