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Revisão curricular pode eliminar 12 mil horários de professores

Revisão curricular pode eliminar 12 mil horários de professores

A Federação Nacional dos Professores estima que a revisão curricular apresentada esta semana elimine 12.000 horários de professores, dos quais 6.500 no 2.º Ciclo, 5.000 no 3.º Ciclo e 500 no Ensino Secundário.

"A última versão conhecida é ainda mais grave do que as anteriores", afirma a FENPROF em comunicado, referindo-se à versão final da revisão da estrutura curricular apresentada na segunda-feira pelo ministro da Educação, Nuno Crato.

A estrutura sindical aponta para mais desemprego e anuncia que se reunirá com a equipa ministerial dentro de uma semana para abordar estas questões.

A FENPROF diz que a decisão do Governo "desrespeita, no essencial, contributos que são conhecidos", sendo acompanhada por "outras medidas negativas ou ainda mal explicadas".

"Do documento apresentado pelo Ministério, como definitivo, destaca-se o facto de, no essencial, pouco ter sido alterado, com exceção para a eliminação, pura e simples, da Educação Tecnológica do 3.º Ciclo. Desconhecem-se as razões que levaram a esta versão final, em que não parece terem sido considerados os contributos recebidos, designadamente do Conselho Nacional de Educação", lê-se no documento.

A FENPROF garante que a medida terá impacto em 10.000 professores, "muitos dos quadros" e outros contratados com "anos e anos de serviço".

A federação pretende obter mais informação sobre os exames do 4.º ano, a utilização, pelas escolas, das horas de redução dos docentes ou a forma de constituição de turmas, "eventualmente por nível".

O ministro disse na conferência de imprensa de segunda-feira que seria facilitada às escolas a organização do trabalho com as turmas por forma a dar destaque especial à componente que for mais necessária, quer aos alunos com dificuldades, quer aos que progridem mais rapidamente e que "não podem ficar a marcar passo".

A escola, indicou, "tem o dever de lhes fornecer oportunidades para continuarem esse progresso".

Nuno Crato garantiu não se tratar da constituição de turmas de nível:"Não são turmas de nível, isso é outra coisa", sublinhou, referindo à possibilidade de trabalho com "grupos homogéneos" de alunos que tenham, eventualmente, ritmos diferentes para responder às suas necessidades de aprendizagem.

A FENPROF afirma que quer debater tudo isto e clarificar com o Ministério o problema de emprego que será criado com "a extinção de milhares de horários".

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