Sociedade

Secretário de Estado demitiu-se após acusações de plágio

Secretário de Estado demitiu-se após acusações de plágio

O secretário de Estado do Ensino Básico e Secundário, João Grancho, apresentou, na sexta-feira, a sua demissão alegando "motivos de ordem pessoal", tendo sido aceite pelo ministro Nuno Crato, segundo nota do Ministério da Educação e Ciência.

"O Senhor Ministro, agradecendo o trabalho empenhado e leal do Dr. João Grancho, transmitiu ao Senhor Primeiro Ministro esse pedido, solicitando que transmitisse ao Senhor Presidente da República o pedido de exoneração do Senhor Secretário de Estado", refere a nota enviada pelo MEC.

Entretanto, fonte do Gabinete do primeiro-ministro adiantou à Lusa que Pedro Passos Coelho "já propôs a exoneração [do secretário de Estado] ao Presidente da República e na devida altura será substituído".

A demissão surge no dia em que o jornal Público noticiou que o secretário de Estado, em 2007, e enquanto presidente da Associação Nacional de Professores (ANP), plagiou textos produzidos por autores académicos sobre temas como deontologia profissional e formação inicial de professores, dos quais retirou extratos para usar num texto, sem citar os autores, que terá estado na base da sua intervenção num seminário que decorreu em Múrcia, Espanha, dedicado ao tema "A dimensão moral da profissão docente".

Em causa, adianta o jornal Público, está a utilização de sete parágrafos sobre deontologia profissional da autoria de Agostinho Reis Monteiro, professor do Instituto da Educação da Universidade de Lisboa, e outros três parágrafos de um trabalho produzido por uma comissão do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP), dedicados à formação inicial de professores, e da autoria de João Pedro Ponte, também da Universidade de Lisboa, e Isabel Cruz, que era na altura vice-reitora da Universidade do Algarve.

Na resposta enviada ao jornal Público, o secretário de Estado refutou as acusações de plágio, afirmando que "pretender associar um mero documento de trabalho, não académico, nem de autor, nas circunstâncias descritas, a um plágio, é totalmente inapropriado e sem qualquer sentido".

Na mesma resposta João Grancho sublinha que o documento em causa, publicado na página na Internet das Jornadas Europeias no âmbito das quais foi proferida a intervenção, era apenas um "suporte prévio a uma intervenção oral" e que "mais não representa que o alinhamento mais ou menos organizado de um conjunto de ideias de vários pensadores -- de entre eles e principalmente o Professor Reis Monteiro".

"O documento em causa não reproduz sequer a intervenção livre então desenvolvida e todas as referências nela efetuadas, tão pouco era esse o seu objetivo essencial", acrescenta a resposta.

A demissão de João Grancho surge ainda numa altura em que a equipa do MEC, liderada pelo ministro Nuno Crato, enfrenta forte criticismo e vários pedidos de demissão por parte da oposição parlamentar devido aos problemas e erros com a colocação de professores nas escolas para este ano letivo.