Sociedade

Sindicato do Ensino Superior critica limitações às vagas

Sindicato do Ensino Superior critica limitações às vagas

O presidente do Sindicato Nacional do Ensino Superior afirmou, esta quarta-feira, que as limitações do Governo à abertura de vagas nos cursos universitários servem apenas para reduzir despesas no imediato e devem pensadas para o futuro.

Em declarações à Agência Lusa, António Vicente afirmou que o despacho referente às vagas no Ensino Superior, publicado na terça-feira à noite, visa "controlar e reduzir despesas" e os recursos "humanos e materiais" das instituições.

O Governo congelou o número de vagas nos cursos superiores, que só podem aumentar quando as instituições conseguirem provar a empregabilidade dum curso.

Recomenda ainda às instituições que redistribuam vagas para aumentar alunos nos cursos de Ciências, Matemática, Informática e Engenharia e reduzam em pelo menos 20% as vagas nos cursos de professor do ensino básico e educação de infância por causa do "excesso de oferta".

O dirigente sindical afirmou compreender que tem que haver "indicações" do Governo relativas à empregabilidade, mas que estas têm que ser determinadas a pensar a longo prazo e "em articulação" com as instituições.

No despacho, a questão da empregabilidade é "referida com base no passado", devendo as instituições usar dados da Direção-geral de Estatística da Educação e Ciência sobre os licenciados por cada curso/instituição inscritos nos centros de emprego desde 2000.

"Se as medidas não foram assumidas, tendo em conta o futuro, mas olhando só para o controlo e redução de despesa no imediato, é algo que me parece grave, não servirá o Ensino Superior nem o que o país dele espera".

António Vicente considerou ainda que o despacho dita uma limitação à autonomia das instituições, quando "já se reduziram as verbas e financiamento transferidos e se colocaram limitações à contratação de pessoas".

"Nesta altura já não há muita mais margem para que as instituições tenham autonomia, têm apenas uma esperança vã, porque a autonomia praticamente está refém de todas estas limitações", afirmou.