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Nuno Crato diz que há "conceções diferentes" no ensino da Matemática

Nuno Crato diz que há "conceções diferentes" no ensino da Matemática

O ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, afirmou, esta terça-feira, que "há conceções diferentes sobre o ensino", respondendo às críticas de professores e especialistas em Matemática que criticam e ameaçam travar judicialmente o novo programa curricular para o ensino básico.

"Há conceções diferentes sobre o ensino. Quem tenha desacordos tem agora oportunidade de fazer críticas", declarou Nuno Crato numa conferência de imprensa em que foi apresentada a proposta de Programa de Matemática para o ensino básico, e no mesmo dia em que o programa ficará disponível para consulta e entra em discussão pública.

Na conferência de imprensa que decorreu nas instalações do Ministério da Educação e Ciência (MEC) no Palácio das Laranjeiras, Crato apresentou o novo programa, que substitui a partir do próximo ano letivo o programa ainda em vigor, já revogado em despacho, como sendo um programa "curto e simples", moderno, assente em modelos internacionais mais recentes, que contrastam com o "datado" programa anterior.

"Estamos a dar um passo em frente", defendeu o ministro.

A Sociedade Portuguesa de Investigação em Educação Matemática responsabilizou o MEC pelas "consequências graves" da revogação e defende que com o novo documento os professores vão ser "obrigados a ensinar por objetivos educacionais ultrapassados".

Já a Associação dos Professores de Matemática vai avançar com uma queixa ao provedor de Justiça e uma providência cautelar contra o despacho do Governo que revoga o programa de Matemática em vigor.

O novo programa, que estará concluído a 11 de junho, está em discussão pública, e até 23 de maio o ministério recolhe contribuições para eventuais alterações ao documento.

Para Nuno Crato "o timing" para a conclusão do processo é "perfeitamente atempado" tendo em conta o próximo ano letivo, não colocando em causa o seu início, até porque o programa assenta em metas curriculares que as escolas já estão a aplicar e em conteúdos conhecidos pelos professores, que estão "perfeitamente preparados para os lecionar" sublinhou.

Nuno Crato disse que o novo programa se tornou necessário depois de terem sido detetadas "incongruências pontuais" entre as metas curriculares e o programa revogado, de forma a que "as dúvidas que persistiam sejam ultrapassadas".

Não adiantando muito sobre aquilo em que poderá divergir este novo programa em relação ao anterior, Filipe Oliveira adiantou, por exemplo, que o uso da calculadora passa a ser entendido como "extremamente nefasto" numa fase inicial de aprendizagem.

Filipe Oliveira, do grupo coordenador das metas curriculares, adiantou que em breve o ministério vai fornecer novas informações sobre novos programas que o grupo tem em avaliação.

Nuno Crato sublinhou as ideias que já constavam do despacho de revogação, publicado a 16 de abril, voltando a referir que o grande objetivo do programa é dar maior liberdade metodológica aos professores, que devem decidir a melhor forma de ensinar o programa consoante os alunos que tenham, e tornar os objetivos a atingir mais claros com as novas metas curriculares.

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