Sociedade

O resumo de uma manhã agitada nas escolas do país

O resumo de uma manhã agitada nas escolas do país

Um grupo de cerca de 20 professores conseguiu invadir a escola Rodrigues de Freitas, no Porto, furando o bloqueio imposto pelo ministério e pela Polícia. Gritaram "Não à prova!" e usaram apitos, tachos e panelas para fazer barulho e tentar impedir que os colegas realizem a avaliação. Desmobilizaram por volta das 13 horas, a convite da PSP, mas a prova realizou-se à mesma.

Os cerca de 20 manifestantes que esta terça-feira invadiram a secundária Rodrigues de Freitas, no Porto, desmobilizaram ao fim de cerca de duas horas e com a certeza de que a contestada Prova de Avaliação de Conhecimentos e Capacidades (PACC) decorreu no interior da escola.

Por volta das 10.40 horas, cerca de vinte pessoas que até aí se concentravam no passeio exterior à escola, entraram no átrio e corredores do edifício com apitos, tachos e megafones, com a intenção de perturbar a realização do exame. Cerca das 12.30 horas foram convidados a sair por agentes da PSP e às 13 horas já estavam de regresso ao passeio para "saudar" e "encorajar" os colegas que realizaram a prova.

O incidente na Rodrigues de Freitas foi o acontecimento mais marcante de uma manhã em que, um pouco por todo o país, os professores se mobilizaram para fazer prova ou para a boicotar.

Noutra escola do Porto, na Aurélia de Sousa, uma dirigente sindical que estava a tentar convencer os colegas a não realizar a prova foi expulsa do recinto escolar. Nas escolas Filipa de Vilhena e Clara de Resende a avaliação está a correu dentro da normalidade.

Na Escola D. Pedro V, em Lisboa, os delegados sindicais chamaram a Polícia para identificar o diretor, que não autorizou a reunião dos plenários. A PSP tomou conta da ocorrência e, segundo os sindicalistas, a queixa-crime será oficializada numa esquadra.

De Viana do Castelo chegou a informação de um professor que foi barrado à entrada de uma escola porque trazia ao peito um cartaz com a inscrição "Crato rua".

A realização da PACC mobilizou em protesto os sindicatos da profissão. A generalidade das escolas cumpriu as ordens do Ministério da Educação e Ciência, vedando o acesso dos delegados sindicais aos estabelecimentos de ensino, mas disponibilizando outros espaços para as reuniões sindicais.

Nos agrupamentos EB 2-3 Quinta de Marrocos e Escola Secundária José Gomes Ferreira, em Lisboa, as direções autorizaram a realização dos plenários agendados. À porta das duas escolas juntaram-se professores que não conseguiram realizar a prova em dezembro e que, apesar de possuírem declaração da escola, não estão inscritas na prova desta terça-feira.

Em Amares, Braga, os cerca de 60 professores inscritos fizeram a prova na cantina, dado que não havia professores vigilantes suficientes para os dividir nas quatro salas, como estava previsto. A solução foi juntá-los todos no mesmo espaço. Apenas um dos 16 professores escalados para vigiar compareceu. Ouviam-se apitos e gritos de protesto entre os professores convocados para fazer a prova, argumentando que não estavam reunidas as condições e chegavam reforços da GNR à hora a que decorria a prova.

Os que não participaram juntaram-se em frente Escola Secundária Francisco de Holanda, no centro de Guimarães, para uma ruidosa arruada de bombos, apitos e buzinas. Os cerca de 10 agentes da PSP no local evitaram os confrontos que ameaçaram repetir-se, depois dos de dezembro registados naquele estabelecimento de ensino.

A polícia criou um cordão de segurança e há uma funcionária à porta, com a lista dos professores que podiam entrar para fazer a PACC. O ambiente foi similar nas quatro escolas de Vila Real que vão acolher a provam, apurou o JN.

Em Beja, quatro escolas fecharam os portões.

Em causa está o ofício enviado, segunda-feira, pelo MEC aos diretores diz que "entre a abertura das escolas e as 14 horas o acesso às instalações deverá ser restrito às pessoas envolvidas na prova". O documento surge na sequência da resposta da Federação Nacional de Professores (Fenprof) à marcação da PACC com três dias úteis de antecedência. É que a ida aos plenários agendados pela Federação justificaria a falta à vigilância da prova. Os diretores estão no meio de uma guerra política.