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Protesto em Paris contra cortes na rede de professores de português

Protesto em Paris contra cortes na rede de professores de português

O Colectivo para a Defesa do Ensino do Português no Estrangeiro, criado para contestar os cortes na rede de professores de português, juntou, este sábado, cerca de 100 pessoas junto à embaixada de Portugal em França.

Pais, professores, alunos e representantes associativos chegaram com bandeiras de Portugal e cartazes de protesto desenhados pelos mais pequenos e onde podia ler-se: "Nós queremos aprender português". "A nossa língua é a nossa pátria!" ou "Queremos guardar os nossos professores de português".

Os manifestantes vão entregar ao embaixador Francisco Seixas da Costa mais de 2500 assinaturas contra esta decisão do Governo, que dizem representar "o início do fim do ensino do português em França e na Europa".

"Vamos apresentar as assinaturas ao embaixador Francisco Seixas da Costa e pedir-lhe que transmita as nossas preocupações e indignação e que lhe transmita que lamentamos não ter recebido uma resposta", afirmou o porta-voz do movimento.

Uma delegação entrou na embaixada às 15.00 horas para ser recebida pelo embaixador.

Cá fora os mais novos tentam cantar o hino mas, mais do que uma vez, a letra falha. O "apita o comboio" sai melhor. Há aplausos. Grita-se "Pórrtugal", com sotaque francês, e frases de ordem: "Portas, escuta, a comunidade está em luta!", "O português não pode morrer!".

Benedita da Costa está em França há quase 20 anos. Tem dois filhos, de 13 e de 10 anos, ambos continuam a ter aulas de português e compareceu hoje na manifestação para exigir que isso não mude: "Tenho pena que o curso de português acabe. Os meus filhos são 100% portugueses ", afirmou.

Entre os manifestantes mais efusivos, Joana Costa Cunha, 16 anos, tinha nas mãos um cartaz que diz "português é a nossa cultura". Estudou português durante nove anos: "Estamos aqui para defender a língua portuguesa e continuação do ensino do português em França. Queremos guardar as nossas raízes", afirmou.

O Instituto Camões anunciou no final de 2011 que iria reduzir, até Janeiro, 49 postos de trabalho de professores de português da rede no estrangeiro, sobretudo em França (20), Suíça (20) e Espanha (9).

Pelas contas deste grupo, em França mais de duas mil crianças ficaram sem aulas de português. O embaixador em Paris, Francisco Seixas da Costa, calcula que esse número esteja entre os 1700 e os 1800.

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