Sociedade

Quarenta pessoas exigiram demissão de Nuno Crato em escolas de Coimbra e Viseu

Quarenta pessoas exigiram demissão de Nuno Crato em escolas de Coimbra e Viseu

Cerca de 40 pessoas concentraram-se, esta quinta-feira, ao final da tarde, na Escola Jaime Cortesão, em Coimbra, e na Escola Alves Martins, em Viseu, para exigir a demissão do ministro da Educação, criticando o sistema de colocação de professores.

Em Coimbra, 20 pessoas, empunhando cartazes onde se lia "Nem mais um dia sem aulas", o nome da iniciativa nacional, protestaram à entrada da Escola Jaime Cortesão, um dos estabelecimentos onde faltam professores - "cerca de dez no ensino noturno"-, informou André Pestana, um dos participantes no protesto.

Docente desempregado e membro do movimento Boicote&Cerco, André Pestana disse à agência Lusa que é necessária "uma mudança real de políticas", considerando que o ministro da Educação, Nuno Crato, "não tem condições para continuar".

"Deixe-se de experimentalismos na colocação de professores", afirmou, exigindo que se volte à "lista de ordenação única nacional", que "garante transparência e celeridade" no processo.

O ministro da Educação e Ciência "deveria ter vergonha e sair", protestou Serafim Duarte, docente de História em Coimbra, sublinhando que o corte de mais de 700 milhões de euros no ensino básico e secundário, presente na proposta do Orçamento do Estado para 2015, tem como objetivo fazer "implodir a escola pública".

"Para a escola privada o ministério não tem problemas em financiar", apontou, frisando que, no concelho de Coimbra, as escolas privadas receberam "mais de 19 milhões de euros", em 2014, estando os contribuintes "a pagar duas vezes pela mesma oferta escolar".

Na cidade de Viseu, duas dezenas de pessoas reuniram-se em frente à Escola Secundária Alves Martins e pediram a demissão de todos aqueles que são responsáveis por milhares de alunos no país estarem ainda sem professor.

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"Já decorreu mais de 50% do primeiro momento letivo e, infelizmente, ainda há muitas escolas que não têm professores. Por outro lado, há professores que estão em casa e não percebemos onde é que está o problema", afirmou aos jornalistas o presidente da Federação Regional das Associações de Pais de Viseu, Rui Martins.

Na sua opinião, os responsáveis por esta situação "devem demitir-se, não devem estar à espera que seja o país a demiti-los".

"O apelo que fazemos ao senhor ministro é que vá para casa e deixe o lugar a outras pessoas que, se calhar, estão mais à altura para resolver o problema", frisou.

A iniciativa "Nem mais um dia sem aulas", que se realizou hoje em diversos pontos do país, contou com a adesão, entre outros, do professor Santana Castilho, do presidente da Associação Nacional de Professores Contratados (ANVPC), Arlindo Ferreira, do autor do blogue de Ar Lindo, Paulo Guinote, do blogue A Educação do Meu Umbigo, assim como de dirigentes sindicais e de representantes de associações de pais.

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