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"Entroikado" é a palavra do ano 2012 para os cibernautas

"Entroikado" é a palavra do ano 2012 para os cibernautas

"Entroikado" é a "palavra do ano", que recolheu 32% dos votos dos cibernautas, foi, esta sexta-feira, divulgado pela Porto Editora, que organizou a inicitiva, na Biblioteca José Saramago, em Loures.

A "palavra do ano" integrava uma lista de dez, escolhidas pela equipa de linguistas do Departamento de Dicionários daquela editora, que esteve à votação, "on-line", desde o início do ano, para a escolha da eleita

A lista teve, "como critérios, a frequência de uso, a relevância assumida ou então, simplesmente, porque se relaciona com algum tema muito marcante", justificou a editora.

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"Entroikado" alcançou 32% dos votos, mais do dobro da palavra "desemprego", classificada em segundo lugar com 14% das escolhas.

Completa o pódio deste ano a palavra "solidariedade", com 12% das preferências.

Seguiram-se "bosão" de Higgs, com 11%, "manifestação", com nove, "cortes", com oito, e, com quatro por cento, as palavras "imposto" e "refundar".

Na nona posição, com três por cento, ficou "democracia" e, no último lugar, com dois por cento, "TSU", a sigla de "taxa social única", à qual a conjuntura atribuiu quase o "estatuto" de acrónimo.

Questionado pela Lusa sobre a palavra escolhida, José Manuel Matias, da Sociedade de Língua Portuguesa (SLP), afirmou tratar-se de um "neologismo", isto é, a criação de uma nova expressão - "o que é legítimo, porque as línguas são dinâmicas e estão em constante transformação", acrescentou.

"Não é um vocábulo", prosseguiu o especialista. "Para o ser, tem de constar no dicionário e, a acontecer - o que duvido -, só daqui a dois ou três anos", argumentou.

"Se há neologismos que vingam e continuam, não será, muito provavelmente, o caso deste", vaticinou o especialista da SLP.

José Manuel Matias reconhece que a escolha é sugerida pela conjuntura económico-social, mas qualificou-a como "uma brincadeira, ou antes, usando as palavras do [escritor] Mia Couto, que cria muitos neologismos, isto será uma 'brinqueação'".

A iniciativa "palavra do ano" é da Porto Editora, que tem uma forte componente de especialização na área dos dicionários e da lexicografia.

Em 2009, quando se realizou a eleição pela primeira vez, a "palavra do ano" eleita foi "esmiuçar". No ano seguinte, foi "vuvuzela" e, em 2011, foi eleita a palavra "austeridade", que relegou a "esperança" para segundo lugar.

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