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Exército estima lucro superior a 29 mil euros com o 1º ciclo a funcionar

Exército estima lucro superior a 29 mil euros com o 1º ciclo a funcionar

Estimativas do Estado Maior do Exército prevêm que a abertura do Colégio Militar ao primeiro ciclo teria um saldo anual positivo de 29,6 mil euros, revela um documento enviado à tutela e ao qual a Lusa teve acesso.

O documento, datado de 3 de Agosto e enviado ao secretário de Estado Adjunto e da Defesa Nacional, refere que "o projecto, em termos de custos de funcionamento, é auto-sustentável", além de ser "possível amortizar os custos de implementação em cerca de 2,5 anos".

O secretário de Estado Paulo Braga Lino decidiu não autorizar a abertura do primeiro ciclo no Colégio Militar. Segundo o despacho do governante, a decisão é suportada no "decréscimo significativo do número de alunos matriculados no 1º ciclo", no facto de o "País e o Governo estarem fortemente empenhados na redução da despesa pública", e "de não estar suficientemente demonstrada a viabilidade económica e financeira da iniciativa".

No entanto, um oficial superior da estrutura de comando do Exército português, que pediu anonimato, disse à Lusa que o Exército pretendia precisamente rentabilizar as infraestruturas e equipamentos do Colégio Militar e aumentar o número de alunos, num projecto "auto-sustentável financeiramente".

A mesma fonte afirmou à Lusa "não perceber a decisão do Governo em relação a um projecto que dá mais de 29 mil euros de lucro".

O oficial disse à Lusa que "os custos de implementação em obras de adaptação do edifício de aulas e aquisição de equipamentos cifram-se em 64.900 euros", distribuídos por 34.900 em obras e, 30.000 em materiais de apoio ao ensino e que o "saldo anual de funcionamento ascende a um valor positivo de 29.600 euros".

De acordo com o documento entregue à Lusa lê-se que o "custo de funcionamento mensal é de 14.000 euros", referentes a "professores, auxiliares, alimentação e encargos" diversos, e as receitas acendiam a "20.560 euros", mesmo considerando "perdas até 20 por cento".

No documento está escrito que "relativamente aos custos de investimento, o Colégio Militar não necessita que seja equacionado qualquer reforço do seu actual orçamento, previsto para o ano de 2011".

A Lusa contactou fonte da direção do colégio, que remeteu para o gabinete do Chefe de Estado-maior do Exército, mas o porta-voz daquele ramo, tenente-coronel Jorge Pedro, remeteu "qualquer declaração para o Ministério da Defesa Nacional".

Contactado pela Lusa, o gabinete de imprensa do Ministério da Defesa Nacional respondeu que "o secretário de Estado solicitou um estudo completo dos estabelecimentos militares de ensino, que será entregue até dia 1 de Setembro".

A fonte do gabinete reforçou que "este ano não estão reunidas as condições para a abertura do 1º ciclo no Colégio Militar" e, que "só depois de receber o estudo encomendado se poderá reavaliar o processo".

No despacho do secretário de Estado da Defesa Nacional pode ler-se que a decisão se prende ainda com o facto de estar "em curso uma profunda reforma no parque escolar", com a "necessidade de ser promovido um estudo, isento e exaustivo acerca da manutenção dos estabelecimentos de ensino", além de o "projecto ser deficitário em alunos".

O presidente da associação de pais do Colégio Militar, Paulo Cardoso do Amaral, classificou de injusta e extemporânea a decisão governamental de suspender a abertura do primeiro ciclo daquele estabelecimento, que afecta mais de 70 famílias.

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